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PSD não quer que Costa continue de férias sem explicar o caso Galp

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Marcos Borga

“Estamos a falar de ética na governação e as responsabilidades primeiras são do primeiro-ministro”, aponta Fernando Negrão sobre as viagens ao Euro 2016 pagas pela Galp. Sobre os deputados sociais-democratas que também foram ver jogos da selaçao, Negrão diz não saber quantos são e que “cada um assumirá as responsabilidades perante os eleitores”

O PSD apela a que o António Costa venha dar explicações sobre o caso das viagens pagas pela Galp a três secretários de Estado, no qual o Governo considera não existirem incompatibilidades. "O primeiro-ministro não pode continuar em férias, dizendo que nada dirá", disse esta sexta-feira o deputado do PSD Fernando Negrão, em conferência de imprensa. "Fazemos um apelo ao primeiro-ministro para que dê explicações aos portugueses."

O deputado considera que em causa está "uma questão de "ética na governação" e que "uma explicação é fundamental". "Os portugueses vão perdendo confiança no sistema político", afirmou, defendendo a necessidade de "resolver as questões éticas até às últimas consequências".

"O primeiro-ministro tem responsabilidades muito especiais nesta área. Estamos a falar de ética na governação e as responsabilidades primeiras são do primeiro-ministro", apontou.

O deputado disse ainda que António Costa não pode continuar "em silêncio" e remeter a reação para Augusto Santos Silva, primeiro-ministro em funções, que esta quinta-feira deu este assunto como encerrado, anunciando um código de conduta a aprovar em Conselho de Ministros antes de setembro.

Questionado pelos jornalistas sobre a razão de o PSD não pedir a demissão dos três secretários de Estado, à semelhança do que fez o CDS, Fernando Negrão diz que essa é uma "responsabilidade exclusiva do primeiro-ministro." "A nomeação dos membros do Governo cabe ao primeiro-ministro e a responsabilidade de uma eventual manutenção no cargo também."

O deputado social-democrata foi ainda confrontado com a questão de haver deputados do PSD que se deslocaram para ver os jogos em França, segundo uma notícia do "Observador" na quinta-feira. "Temos acompanhado a situação", respondeu.

Negrão disse que nem ele nem os partidos "são polícias dos deputados". "Cada um assumirá as responsabilidades perante os eleitores. Não faço ideia de quantos são." O social-democrata reforça, no entanto, que a situação mais grave não é essa, mas a dos membros do Governo porque "são eles que têm o poder executivo, há uma exigência particular".

Quanto aos partidos da esquerda, Negrão deixa críticas. "É preciso perguntar ao PCP e ao Bloco de Esquerda o que é aconteceu às bandeiras erguidas sobre promiscuidade entre o grande capital e o poder político. Deixaram cair a bandeira?".

Ética e corrupção

"A questão ética subsiste", insiste Fernando Negrão, depois de o Governo ter considerado o caso encerrado. "Estes três secretários de Estado ficam inibidos de ter qualquer tipo de relacionamento com a Galp. Como é que isso é possível?", questiona, lembrando que têm áreas estratégicas ligadas à empresa, designadamente os Assuntos Fiscais (Rocha Andrade), a Indústria (João Vasconcelos) e a Internacionalização (Jorge Oliveira).

Em particular no caso dos Assuntos Fiscais, o assunto tomou proporções maiores tendo em conta que a Galp é uma empresa à qual o Estado reclama mais de 100 milhões de euros em dívida fiscal.

Embora acredite que "aceitar um convite destes não pressupõe corrupção" e queira acreditar que "foi de boa-fé", Fernando Negrão considera que "a corrupção é exercida de forma muito sofisticada". E conclui: "Não descansaremos enquanto a questão não for esclarecida".