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PCP não se opõe caso Rocha Andrade se demita, BE não faz “sugestões públicas desse cariz”

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Marcos Borga

PCP considera que as viagens do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais pagas pela Galp são uma “atitude criticável”. O Bloco de Esquerda vê a situação como “eticamente reprovável”, mas sublinha que é preciso saber quantos deputados aceitaram convites da Galp

O comunista Jorge Pires considera que a demissão do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, "é uma decisão do Governo, do primeiro-ministro e do próprio". Questionado sobre se o PCP apoiaria essa decisão, Jorge Pires é claro: "Se o secretário de Estado tomar essa iniciativa, não nos oporemos".

Em causa está o facto de Rocha Andrade ter ido assistir a dois jogos do Euro 2016 em viagens pagas pela Galp, empresa à qual o Estado reclama mais de 100 milhões de euros em dívida fiscal (os Assuntos Fiscais no Governo são tutelados precisamente por Rocha Andrade).

"Nós consideramos, tal como no passado, que situações como estas não contribuem para a necessária separação entre poder político e poder económico e, por isso, consideramos uma atitude criticável", afirmou o membro da comissão política do comité central do PCP esta quinta-feira, em conferência de imprensa. Jorge Pires considera que essas situações de falta de separação de poderes "já levaram o país a assumir custos muito elevados".

O dirigente comunista diz que agora cabe ao Governo, ao primeiro-ministro e ao próprio "analisarem a situação, tirarem as devidas ilações e decidirem o que fazer nesta situação". E acrescenta: "Posso garantir que com deputados do PCP esta situação não aconteceria".

Já o Bloco de Esquerda considera que a aceitação do convite é "eticamente reprovável". "O BE não tem capacidade para demitir, mas considera que a situação é eticamente reprovável", reforçou Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do Bloco. Sobre se o secretário de Estado deve por o lugar à disposição, o deputado defende que o BE "não faz sugestões públicas desse cariz ao Governo", mas que "qualquer cargo está ao dispor do primeiro-ministro".

"É eticamente reprovável que se aceitem presentes de grupos económicos", acrescenta, lembrando que este tipo de situação promove a promiscuidade entre poderes e que o BE "sempre condenou situações como esta no passado". Pedro Filipe Soares disse ainda, esta quinta-feira, que "falta saber a dimensão desta situação", designadamente quantos "deputados e deputadas" aceitaram convites da Galp.