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Galp diz que é “comum” e “ético” convidar para eventos pessoas com que se relaciona

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José Carlos Carvalho

A petrolífera garante que a única coisa que pretendeu ao efetuar convites para assistir aos jogos da seleção em França foi “fomentar o espírito de união” em torno da equipa, “cujos valores se coadunam com os da marca”

A Galp esclareceu esta quinta-feira que "é comum" e eticamente aceitável convidar para determinados eventos entidades com que se relaciona, na sequência do caso que envolve o secretário de Estado Rocha Andrade no âmbito do Campeonato Europeu/2016.

A Lusa contactou a Galp depois do CDS ter pedido na quarta-feira a demissão do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, por considerar "reprovável e grave" que tenha viajado a convite da Galp para assistir a jogos da seleção de futebol no Campeonato Europeu/2016.

A edição 'online' da revista “Sábado” noticiou na quarta-feira que o secretário de Estado Fernando Rocha Andrade viajou a convite da Galp para assistir a encontros da seleção portuguesa durante a fase de grupos do Europeu.

Esta quinta-feira , a Galp explicou que patrocina a Seleção Nacional de futebol desde 1999 e que além das iniciativas diretamente ligadas à utilização da imagem e dos símbolos da equipa em campanhas publicitárias, desenvolve igualmente outras iniciativas com o objetivo de reforçar a visibilidade e impacto desse apoio, nomeadamente o envio de convites a pessoas e instituições com as quais se relaciona.

A Galp sublinha que "este tipo de iniciativas é comum e considerado aceitável no plano ético das práticas empresariais internacionais" e acrescenta que "a única coisa que pretende com todos e com cada um destes convites é fomentar o espírito de união em torno da Seleção Nacional, cujos valores se coadunam com os da marca Galp".
Entre os convidados, detalhou, encontram-se parceiros de negócios, fornecedores e prestadores de serviços, agências de publicidade, representantes institucionais e dezenas de clientes, grandes e pequenos.

"Todos viajam em conjunto de forma aberta e transparente, num voo 'charter' de acesso generalizado, sem qualquer segredo ou tratamento diferenciado, partindo e regressando no próprio dia do jogo", lê-se na nota enviada pela Galp à Lusa.

Já quanto a "convites individuais", a Galp não faz comentários.
Ainda na quarta-feira, o PSD pediu esclarecimentos do Governo sobre a viagem paga pela Galp, lembrando que a empresa tem pelo menos um litígio fiscal pendente de muitos milhões de euros com o Estado, em particular com um serviço que depende da tutela do próprio secretário de Estado.

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais já tinha vindo dizer que pretende reembolsar a Galp da despesa da viagem para assistir a jogos da seleção no Campeonato da Europa, embora encare com normalidade ter aceitado o convite da empresa.

Numa nota enviada à Lusa na quarta-feira pelo gabinete de imprensa do Ministério das Finanças, o secretário de Estado confirma que aceitou o convite feito pela Galp, "enquanto entidade patrocinadora da Seleção Nacional", para assistir a dois jogos.
O governante sublinha que "considerou o convite natural, dentro da adequação social" e entende que "não existe conflito de interesses".

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