Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Comissão recomenda défice de 2,5% do PIB em 2016

  • 333

tiago miranda

Executivo comunitário terá considerado pouco convincente o défice de 2,2% do PIB antecipado por Mário Centeno e recomendou um valor acima do compromisso assumido pelo governo português

A Comissão Europeia recomendou esta quarta-feira, em Bruxelas, que o défice das contas públicas em Portugal não deverá ultrapassar 2,5% do Produto Interno Bruto em 2016.

O défice de 2,2% do PIB antecipado por Mário Centeno – que o Governo admite que pode chegar a 2,3% caso haja revisão dos cenários macroeconómicos – não terá convencido Bruxelas já que o executivo comunitário recomendou um valor acima do compromisso assumido pelo governo português.

Fontes ouvidas no início desta semana pelo Expresso em Bruxelas já davam como muito provável a um défice de 2,5% do PIB, que já representava mais margem de manobra do que os 2,3% recomendados por Bruxelas em maio.

Já ao nível do esforço estrutural, mantém-se a recomendação de um ajustamento de 0,25% do PIB em 2016.

Plano B

Na conferência de imprensa de apresentação das decisões de hoje do executivo comunitário relativamente aos processos de sanções a Portugal e Espanha devido ao défice excessivo, o comissário dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici sublinhou que "conseguir 0,25% do PIB de esforços estruturais em quatro meses não é pouco", mas indicou que os contactos que manteve nas últimas semanas com as autoridades portuguesas indicaram que tal cenário é possível, ainda que exigente.

"A Comissão Europeia convida as autoridades portuguesas a preparar estas medidas o quanto antes, o mais tardar 15 de outubro. Nessa base, a Comissão poderá confirmar o cenário de um regresso do défice abaixo dos 3% nas previsões económicas de novembro, e se esses números forem confirmados em abril próximo pelo Eurostat, a Comissão poderá propor o encerramento do Procedimento por Défice Excessivo a Portugal. É o que desejo pessoalmente aos nossos amigos portugueses, que fizeram muitos esforços nestes últimos anos", declarou Moscovici.