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Patrões preocupados com estabilidade política exigem medidas para promover crescimento

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Marcelo com António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP)

TIAGO PETINGA/ Lusa

Patrões foram recebidos esta terça-feira pelo Presidente da República e não esconderam as suas preocupações

As confederações patronais manifestaram esta terça-feira preocupação face à situação política atual e defenderam que o Orçamento do Estado para 2017 (OE2017) deve incluir medidas que promovam o investimento e o crescimento económico.

"O país carece de promover investimento e os empresários necessitam de um clima de confiança para que o investimento possa ocorrer, porque sem isso o crescimento não ocorre", afirmou o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva.

O presidente da confederação patronal, que falava aos jornalistas no final de uma audiência com o Presidente da República, em Belém, transmitiu a Marcelo Rebelo de Sousa a preocupação da CIP face ao atual quadro político e defendeu a necessidade de mecanismos que promovam a capitalização das empresas, bem como de um veículo que alivie as empresas do "estrangulamento" do crédito mal parado.

António Saraiva lançou ainda um aviso aos partidos que apoiam o Governo, nomeadamente ao Bloco de Esquerda (BE), e frisou que a CIP não está disponível para discutir medidas que revertam o que está em vigor, nomeadamente, no quadro laboral.

"Não permitiremos qualquer reversibilidade [em sede de concertação social] nem o ataque que sentimos que está permanentemente a ser feito por alguns partidos à esquerda do PS, nomeadamente do BE, que tem sobre a iniciativa privada e os empresários uma leitura de diabolização como se o país vivesse sem empresas e sem aqueles que criam riqueza e emprego", avisou o presidente da CIP.

Defendeu a necessidade de um quadro de "estabilidade legislativa, fiscal e laboral" e manifestou receio quanto à estabilidade política aquando da discussão do próximo orçamento.

Também o vice-presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Vasco de Mello, disse estar preocupado "relativamente ao estado político e económico do país" e "bastante preocupado com o crescimento que o país está a ter", aquém do previsto no Orçamento do Estado para este ano.

"Achamos que o crescimento que vamos ter em 2016 não será o necessário e desejável para o país fazer face aos diversos compromisso que o Estado Português tem, também nos preocupa a eventualidade de sanções", disse o responsável, no final de uma audiência com o Chefe do Estado.

Vasco de Mello referiu ainda que a CCP está "expectante com aquilo que vai ser o próximo Orçamento, nomeadamente se a carga fiscal vai aumentar, se o investimento diminuir, e onde é que o Governo vai cortar nesta manta de retalhos".

Já o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, disse que Confederação não gosta de "antecipar crises" e aconselhou os portugueses a irem "gozar as férias a que têm direito".

"Em termos políticos a nossa visão é simples: existe um Governo apoiado numa maioria parlamentar. Neste momento, o Governo está a governar. Iremos ter um Orçamento entre setembro e outubro e nesse momento é altura de analisar as Grandes Opções do Plano (GOP) e o OE. Neste momento as pessoas devem ir de férias", rematou o presidente da CTP, no final de um encontro com o Presidente da República.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu esta tarde os parceiros sociais para uma análise da situação política, depois de na segunda-feira ter recebido os partidos com assento parlamentar sobre a matéria.