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Política

PSD acusa Governo de falhar na economia mas não antevê crise política

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José Sena Goulão

A vice-presidente do PSD Sofia Galvão manifestou-se também preocupado com a banca, mas defendeu que a maioria parlamentar é estável e que não se antevê uma crise política

O PSD acusou esta segunda-feira o Governo de falhar a sua promessa de crescimento económico e manifestou-se também preocupado com a banca, mas defendeu que a maioria parlamentar é estável e que não se antevê uma crise política.

Estas posições foram transmitidas aos jornalistas pela vice-presidente do PSD Sofia Galvão, que chefiou a delegação social-democrata recebida hoje pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa, para uma análise da situação política.

"Não vemos nenhum cenário de crise política no horizonte", declarou Sofia Galvão.
A vice-presidente do PSD afirmou que "o Governo tem uma maioria estável no parlamento" a quem compete aprovar o Orçamento do Estado para 2017 e argumentou que "quando há maiorias nos parlamentos não há razões para se pensar em crises políticas".

"O PSD não é parte da solução em termos do próximo Orçamento do Estado", frisou.

Sofia Galvão tinha ao seu lado o secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, e o líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro.

Segundo o gabinete de imprensa do PSD, o presidente do partido, Pedro Passos Coelho, não chefiou a delegação social-democrata neste encontro por "motivo de doença".

De acordo com Sofia Galvão, a delegação do PSD teve "uma conversa muito transversal, muito aberta sobre a situação política do país" com Marcelo Rebelo de Sousa, manifestando, sobretudo, "preocupação com o estado da economia".

"Os nossos compromissos com o exterior dependem de um desempenho económico que a política do Governo não está a conseguir assegurar. E foi isso sobretudo que transmitimos ao senhor Presidente da República", afirmou.

De acordo com a vice-presidente do PSD, "nesta altura já é possível perceber que os resultados da política económica são o contrário daquilo que o Governo tinha prometido".

"O crescimento é um crescimento muito inferior, de acordo com os últimos estudos, àquilo que se prometeu. Nesta altura fala-se em cerca de metade do que era previsível", apontou.

Sofia Galvão disse que "o investimento cai" e que "o emprego não melhorou" e que Portugal está "com níveis de poupança negativa", mas ao mesmo tempo "o consumo interno não é capaz de fazer arrancar a economia".

"Esta foi a nossa principal nota, complementada por uma preocupação também com o estado do sistema financeiro e especificamente da banca. Sem banca a funcionar, em condições de financiar a economia, a economia não consegue de facto ter o desempenho de que Portugal precisa", acrescentou.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu esta segunda-feira, entre as 12h e as 20h, os sete partidos com assento parlamentar, para um balanço da sessão legislativa e uma análise da situação política, e irá ouvir também os parceiros sociais, até quarta-feira.

Na quarta-feira, em Loulé, o chefe de Estado disse que estes encontros com os partidos e parceiros sociais fazem parte de uma rotina que decidiu instituir, com intervalos de dois meses e meio.

Há cerca de três meses, a 26 de abril, Marcelo Rebelo de Sousa reuniu-se com os partidos com assento parlamentar para debater dois temas específicos na agenda política, o Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas apresentados pelo Governo do PS.