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As preocupações dos partidos e os avisos sobre o Orçamento

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Marcelo Rebelo de Sousa ouviu durante esta tarde todos os partidos com assento parlamentar. Geringonça tentou sossegar o Presidente (“Não há nenhuma crise”) mas negociações não serão fáceis

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

A esquerda elogiou a geringonça mas deixou claro seu caderno de encargos para o próximo Orçamento. O que ficámos a saber depois das audiências em Belém?

PCP e BE: o que o OE deve conter

PCP e BE insistem que é preciso aumentos das pensões acima da inflação e aumentos dos funcionários públicos.

À saída da reunião, o PCP, pela voz de Jerónimo de Sousa, queixou-se que está "a ser dada uma centralidade excessiva à questão do défice e fala-se menos da linha que tem que se prosseguir para devolução de rendimentos”aos portugueses. E sobre o Orçamento para 2017 foi evasivo. “Não posso dizer nem sim, nem não a uma coisa que não conheço”. Mas mantém pressão no aumento da reposição de direitos e rendimentos. “É uma prova que tem que ser feita.”

“Faremos tudo para que esses aumentos se verifiquem na Administração Pública e no sector privado. A vida provou que não é com precariedade e cortando salários e direitos que pomos Portugal a produzir”, insistiu.

Além de Catarina Martins, fizeram ainda parte da comitiva do BE José Manuel Pureza e Pedro Filipe Soares

Além de Catarina Martins, fizeram ainda parte da comitiva do BE José Manuel Pureza e Pedro Filipe Soares

TIAGO PETINGA/ Lusa

Sobre o Orçamento do Estado para 2017, a porta-voz do BE, Catarina Martins, reiterou que o seu partido "nunca pactuará com medidas de austeridade", mas disse que "até agora" não houve da parte do Governo "nenhuma indicação de que não queira respeitar o acordo que foi feito".

"As negociações fazem-se à mesa", repetiu, escusando-se a comentar cenários sobre o Orçamento.

José Luís Ferreira, d' Os Verdes, declarou que o seu partido continuará "disponível para continuar esta caminhada que se está a traduzir na devolução de rendimentos e recuperação de direitos dos portugueses". Mas considerou "prematuro que Os Verdes anunciassem agora a sua posição de voto sobre um orçamento que ainda não existe".

Ana Catarina Mendes,

Ana Catarina Mendes,

José Sena Goulão/ Lusa

"[O OE] está a ser preparado, será preparado inevitavelmente com o Bloco de Esquerda, o Partido Ecologista Os Verdes e o Partido Comunista, e estou confiante que chegaremos a um bom resultado também em 2017", declarou Ana Catarina Mendes, secretária-geral-adjunta do PS, no final da conversa com o Presidente, referindo-se ao Orçamento para 2017. A dirigente socialista foi a mais lacónica de todos os representantes da "esquerda unida" como Assunção Cristas lhe chamou.

Jerónimo de Sousa e o deputado João Oliveira

Jerónimo de Sousa e o deputado João Oliveira

TIAGO PETINGA/ Lusa

Geringonça elogia geringonça

O acordo assinado em novembro de 2015 foi concretizado "no essencial", garantiu Jerónimo de Sousa. "Parece-me que não há à vista nenhuma questão de instabilidade política, nenhuma crise política. Os acordos estão firmes e estão para durar", destacou Ana Catarina Mendes. "A posição conjunta estabelecida com o PS é, de certa forma, uma segunda Constituição", sublinhou José Luís Ferreira.

Se Marcelo tinha dúvidas sobre o compromisso dos partidos que sustentam a geringonça, terá ficado (por ora) descansado. Pelo menos, os partidos esforçaram-se para garantir que estão empenhado um renovar o acordo com o Orçamento para 2017. Veremos.

"Tivemos oportunidade de dizer ao Presidente que Os Verdes consideram que esta sessão legislativa foi muito produtiva, muito útil para os portugueses porque representou o início da recuperação de rendimentos das famílias e a devolução de direitos perdidos com o anterior Governo PSD/CDS", declarou o líder parlamentar de Os Verdes, referindo-se ao horário de 35 horas semanais, reposição de feriados, devolução de salários e sobretaxa de IRS e reposição do IVA a 13% na restauração.

A comitiva d'Os Verdes na audiência com o Presidente

A comitiva d'Os Verdes na audiência com o Presidente

TIAGO PETINGA/ Lusa

As sanções e a União Europeia

A palavra mais ouvida à esquerda sobre a União Europeia e as eventuais sanções foi "chantagem". "Temos que ecusar a chantagem europeia", apelou Catarina Martins. "Nada que o Governo atual faça vai interferir no défice de 2015, já está fechado, foi ultrapassado", afirmou José Luís Ferreira, criticando as exigências de medidas adicionais de Bruxelas em 2016 para compensar os dados macroeconómicos de 2015.

As perguntas de Marcelo

As audiências foram marcadas pelo Presidente para medir o pulso à temperatura política numa altura em que se fala sobre o risco de eleições antecipadas.

Segundo o líder do PAN, André Silva, Marcelo Rebelo de Sousa "não está preocupado, mas quer saber como as coisas estão", tendo "apelado ao sentido da responsabilidade" dos partidos. "É extremamente necessário que, neste momento de dificuldade que possa existir, haja responsabilidade por parte daqueles que são os partidos que fizeram esta solução governativa e também daqueles que são os principais partidos da oposição, que se dizem responsáveis", afirmou.

André Silva, PAN, após audiência com Marcelo

André Silva, PAN, após audiência com Marcelo

TIAGO PETINGA/ Lusa

"Eu julgo que o Presidente não tem nenhum motivo para intranquilidade. O BE nunca lhe deu motivos para isso", respondeu, por sua vez, aos jornalistas Catarina Martins.

As preocupações à direita

Para Assunção Cristas, um dos principais problemas é o emprego e o investimento. "Só há emprego com investimento e não vemos investimento com estas políticas", declarou a líder do CDS, à saída de Belém, chamando ainda a atenção para os problemas da banca e denunciando aumento dos prazos de pagamento do Estado a fornecedores.

Segundo a presidente do CDS-PP, a conversa com o chefe de Estado "foi sobre esta sessão legislativa e sobre a avaliação deste momento".

Assunção Cristas e Marcelo Rebelo de Sousa

Assunção Cristas e Marcelo Rebelo de Sousa

TIAGO PETINGA/ Lusa

Cristas recusou pronunciar-se sobre se aceitaria fazer parte de uma solução de Governo em cenário de crise. "Eu não vou estar a comentar nenhum cenário que não está em cima da mesa", retorquiu Assunção Cristas. "Não depende de nós a manutenção ou não da atual solução governativa", acrescentou.

O PSD alertou também para os riscos da situação económica. "Já é possível perceber que os resultados da política económica são o contrário do que o Governo tinha prometido”, afirmou a vice-presidente do PSD Sofia Galvão - Pedro Passos Coelho faltou à audiência por estar com gripe.“Fala-se que o crescimento é metade do que era previsível”, que “investimento caiu, o emprego não melhorou” e os níveis de poupança são negativos, disse, chamando a atenção para o “estado do sistema financeiro, especificamente da banca”.

Marcelo recebeu Sofia Galvão, José Matos Rosa e Luis Montenegro

Marcelo recebeu Sofia Galvão, José Matos Rosa e Luis Montenegro

José Sena Goulão

Sobre o Orçamento para 2017, a dirigente afirmou que o “PSD não tem qualquer conhecimento do próximo Orçamento de Estado, não tem que ter, mas sabe que há uma solução de Governo e é essa maioria que vai ter que apresentar ao país o próximo Orçamento do Estado e que vai ter que explicar como tenciona executá-lo. O PSD não é parte da solução em termos do próximo Orçamento de Estado”. “Não vemos nenhum cenário de crise política no horizonte”, acrescentou.

A posição do PSD e CDS é clara: consideram que a economia não vai correr bem mas nunca irão pedir eleições antecipadas porque querem que seja o PS a assumir as consequências da sua governação e a eventual adoção de medidas de austeridade.