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PSD espera 
por Rangel no Porto

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Fernando Veludo/Lusa

O eurodeputado é desejado para o Porto, onde Rui Moreira tem PS e CDS e divide o PSD

Com o PS aconchegado no colo de Rui Moreira e o CDS a não dispensar ali o seu cantinho, o PSD começa a ver as próximas eleições para a Câmara do Porto como a antecâmara de mais uma travessia do deserto. Sem candidato óbvio, com os mais destacados militantes indisponíveis e posta de lado a hipótese de apoio a Moreira, o partido já só procura assegurar quem evite um resultado inferior aos 21% de Luís Filipe Menezes, mínimo histórico na cidade.

Não tem sido fácil para um partido que, por falta de comparência, catapultou a CDU como única oposição consistente e coerente à coligação maioritária, formada pelo movimento de Rui Moreira, PS e CDS. Dos três vereadores do PSD, um, Ricardo Valente, assumiu há dias um pelouro que era do presidente. Outro, Amorim Pereira, surge cada vez mais identificado com a maioria, ao ponto de Miguel Seabra, presidente da concelhia, ter pedido para lhe ser retirada a confiança política. Resta Ricardo Almeida em defesa do projeto do PSD.

Amanhã toma posse o novo presidente da distrital, Bragança Fernandes, presidente da Câmara Municipal da Maia, que parece estar em sintonia com Miguel Seabra na defesa do que, como dizia ao Expresso o presidente da concelhia, “o centro-direita tem um projeto político diferente que não se revê no que têm sido as práticas da atual maioria”.
Paulo Rangel é o nome mais desejado. O eurodeputado já se viu na necessidade de escrever um artigo no “Público” a assegurar que não é, nunca pensou ser, nem jamais foi sondado ou consultado. Mas, nas palavras de um responsável do PSD, “é sempre melhor começar por dizer não e depois ser confrontado com a impossibilidade de continuar a negar”.

Mais oito meses para fechar as listas
Também em Lisboa o PSD continua à espera de um candidato relutante: conforme o Expresso noticiou, Pedro Santana Lopes descartou, para já, a hipótese de se candidatar. Mas a forma como colocou a questão (“Neste tempo não posso aceitar convites”, disse ao Expresso, acrescentando que até às autárquicas “o mundo girará muitas vezes”) dá a entender que pode ser apenas uma questão de tempo. Foi essa a leitura da direção do partido. “A candidatura de Santana a Lisboa não é uma hipótese que esteja posta de parte”, garante um alto dirigente social-democrata.

Os princípios de orientação estratégica para as autárquicas, aprovados esta semana pelo PSD, evitam pressas. Até ao final deste ano devem ser anunciadas as recandidaturas dos presidentes de câmara em funções (a regra é recandidatar quem já está no cargo), mas alarga os prazos até ao final de março de 2017 no caso dos outros candidatos à presidência.