Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

“Não há direito de atirar pela janela o sacrifício que fizemos”, diz Passos Coelho

  • 333

HOMEM DE GOUVEIA/lusa

O líder social-democrata entende a ameaça de um processo judicial à Comissão Europeia como mais “um bode expiatório” do Governo de António Costa, que tenta “lavar as mãos” das opções que tomou. No Chão da Lagoa, na Madeira, onde esteve este domingo para participar na festa regional do partido, apelou à luta e disse ao militantes que “é importante que o PSD esteja preparado para lutar pelo País” e voltar a “pôr Portugal no caminho que é preciso”

Marta Caires

Jornalista

Os tempos não estão fáceis e Pedro Passos Coelho não vê maneira de a situação voltar aos eixos sem a intervenção do PSD, a quem lançou este domingo um apelo para estar “preparado para lutar pelo País”, mesmo que seja na oposição. O partido, disse, deve tratar de “reconquistar a possibilidade de voltar a pôr Portugal no caminho que é preciso” já que este governo, “colonizado” pelo BE e pelo PCP, está apenas ocupado em “lavar as mãos” das opções que tomou. O líder social-democrata, que esteve no Chão da Lagoa na Madeira, lamentou ainda a forma como se está a desperdiçar o esforço dos últimos quatro anos. ““Não há direito de atirar pela janela o sacrifício que fizemos”.

A possibilidade de Portugal processar a Comissão Europeia é, segundo Passos Coelho, mais uma estratégia de sobrevivência do governo de António Costa, que não assume as responsabilidades do que faz. As sanções não são por causa dos sacrifícios, mas “pelo que se está a passar agora” e o pior é que o executivo socialista não faz o que é preciso. “O que faz o governo? Em vez de fazer o que era preciso ameaça que vai pôr a comissão europeia em tribunal. Deixem-me dizer aqui que temos em Portugal hoje um governo que não só não assume as responsabilidades como anda sempre à procura de um bode expiatório para lavar às mãos daquilo que é consequência das opções que tomaram”

Parabéns a Passos

A economia está pior, há menos confiança em Portugal no exterior e, quando isso acontece quem paga são os cidadãos, lembrou Passos Coelho aos militantes do PSD-Madeira que encheram a Herdade do Chão da Lagoa para 34ª festa popular do partido. A organização garante que terão estado na festa entre 15 a 16 mil pessoas e uma parte importante cantou os parabéns ao líder nacional. Na verdade, o presidente do partido, que este domingo fez 52 anos, ouviu cantar os parabéns por várias vezes. Uma vez no palco com Miguel Albuquerque, o líder regional, ao microfone, várias vezes na tradicional ronda pelas barracas de comes e bebes dos 11 concelhos da Madeira.

Entre uma selfie, uma poncha e uma maçaroca, Passos Coelho recebeu os parabéns, ouviu conselhos e queixas. Uma senhora pediu para que estivesse mais junto do povo, outra notou que estava a ficar careca e um homem lamentou a falta de dinheiro, que agora era preciso muito para ir à festa do Chão da Lagoa, celebrizada nos anos da dupla Alberto João Jardim e Jaime Ramos à frente do Governo e do PSD-Madeira. O modelo, esse, é o mesmo, não faltou quem quisesse apertar a mão e houve muitos apertões para tirar fotografias.

Miguel Albuquerque e Pedro Passos Coelho foram as estrelas de uma festa onde, enquanto se fazia a ronda pelas barracas, havia carne a assar no braseiro, grelhas onde se viravam frangos e no palco rodavam os artistas convidados, quase todos madeirenses. Os anos de Toni Carreira e Mikael Carreira já lá vão e o PSD renovado cortou no financiamento público aos partidos. No parque estacionamento, eram muitos os autocarros fretados de propósito, nem o Porto Santo faltou à festa. A política, pura e dura, também se fez, mas no palco e à hora dos discursos, quando a plateia estava composta e esvoaçavam muitas bandeiras do partido. Nem faltou um drone.

Os tempos estão mudados e, no palco, a frase mais agressiva para Lisboa que se ouviu dizer a Miguel Albuquerque foi quando quis esclarecer que as viagens a 86 euros para residentes e 65 para estudantes foi obra de Pedro Passos Coelho e “não destes que lá estão agora”. O líder regional do PSD-Madeira tem a agenda própria e está a pensar nas autárquicas de 2017. O PSD quer recuperar a maioria das câmaras e das juntas, perdidas em 2013, já no fim do ciclo de Jardim. Os ataques foram todos para esses autarcas da oposição, a quem acusou de ser “só conversa fiada” e “obra zero”. Também houve algumas críticas para este o PS, BE e PCP, mas só para as estruturas regionais. As críticas a Lisboa, essas, ficaram para Passos Coelho.