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“Com 11 anos organizei faltas coletivas contra professores”

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FOTO LUIS BARRA

A líder do Bloco fala do confronto inevitável com a UE e de difíceis consensos com o PS. Conta como despertou para a política e admite que se um dia voltar ao teatro não será como atriz

A coordenadora do Bloco de Esquerda, que há três semanas viu a liderança reconfirmada na Convenção do partido, vinca as diferenças do BE face ao PS, destapa o sonho de uma “maioria social” (com o PCP) e insiste na reestruturação da dívida como tábua de salvação do país (embora reconheça que isso não está ao virar da esquina). Numa entrevista em que fala das suas vivências pessoais, Catarina Martins emocionou-se ao recordar as memórias da infância passada em África e explicou como os ensinamentos do teatro podem ajudar na política. Mas no caso dela foram insuficientes para afastar a “timidez” nos primeiros dias da campanha das legislativas.

Falar num referendo sobre a Europa na ressaca do ‘Brexit’ não foi propriamente a melhor das suas iniciativas políticas desde que é líder do BE, pois não?
[Risos] Não vejo as coisas assim. A esquerda deixou-se cair numa armadilha: achar que a única forma de combater os extremismos de direita e a xenofobia que crescem na Europa é criar uma espécie de cordão sanitário para defender a UE que existe atualmente, e para considerar que mecanismos democráticos (ao longo do tempo uma exigência da esquerda, e agora capturados pelos populismos) passam a ser proibidos. A esquerda deixou-se acantonar num mundo em que só há duas opções: a Europa de Juncker, Schäuble, Merkel e Hollande, ou a alternativa nacionalista de Farage e Le Pen. A esquerda precisa de redefinir a forma do seu confronto europeu, de assumir a falência da UE. E isso passa por um debate popular.

Entrou na Convenção a dizer que não era o tempo de os países jogarem a “cartada dos referendos”. No dia seguinte, jogou o trunfo do referendo (sem dizer o que seria referendado). Não mudou o discurso em 24 horas?
Não houve mudança. O que eu disse foi: “Não é o momento de lançar cartadas de referendos de permanência na UE como o ‘Brexit’; a Convenção vai debater as questões da Europa e as consequências do ‘Brexit’”. O BE não alterou uma linha ao que vinha defendendo: limitou-se a retirar consequências dos perigos que se colocam à Europa com o ‘Brexit’, e da necessidade de defender mecanismos que protejam mínimos de soberania democrática no país.

Como deve o Governo reagir à aplicação das sanções?
Os ministros das Finanças decidiram dar seguimento à decisão da Comissão Europeia. Foi um erro grave. Mas não é ainda uma inevitabilidade que as sanções sejam efetivadas. O processo é um pretexto para condicionar a atuação deste Governo, invocando o défice deixado pelo Governo anterior. Não há ninguém que não compreenda esta injustiça. E, além de injusta, é uma decisão ilegítima. Perante isto, o Governo deve mobilizar todos os mecanismos ao seu alcance, incluindo os legais se necessário, para travar o processo.

Estando já assente alguma poeira sobre a discussão iniciada na Convenção, e sabendo-se que haverá sanções, afinal que tipo de referendo é que o Bloco defende?
Dissemos desde o primeiro momento que o seu conteúdo depende da incidência das sanções. ​Neste momento, a questão da saída não se põe.​ A visão do BE é muito crítica sobre a UE.

Mas daí até defender a saída vai uma grande distância.
Não se pode perguntar às pessoas se querem dar saltos no escuro. É preciso construir uma alternativa. Mas é possível colocar questões sobre os passos que estão a ser dados, nomeadamente os de uma maior subordinação económica do país e menor peso e capacidade da democracia portuguesa. Essas têm sentido, essas perguntas as pessoas compreendem. Se as sanções determinarem uma escolha entre a imposição europeia e a capacidade de o país decidir o seu futuro, referendar o Tratado Orçamental (o tratado que impõe as sanções) é o mínimo que se pode exigir.

Carlos César disse que a ideia do referendo foi um “impulso”. Como reage?
Há certa ideia de que a normalização política em Portugal se fará quando o BE ou PCP seguirem o caminho de integrar uma maioria parlamentar para fazer exatamente a mesma política que o diretório europeu manda. Portanto, o conflito permanente que existe, com o PS e com o centrão político e económico em geral, é explicar que o BE não faz parte de uma maioria parlamentar porque quer uma qualquer experiência de poder. Quando temos proposta de confronto com a Europa, não o fazemos nem por birra nem para destruir o acordo de maioria parlamentar, mas para construir a possibilidade de alternativa real. Se houver sanções com graves danos na economia, o que eu disse no debate sobre o estado da nação [na semana passada] não foi que o PS deixava de contar com o BE; foi que estávamos cá, que continuavam a contar connosco. E que esse seria o momento em que dossiês como a reestruturação da dívida não podiam ser mais adiados, para não termos de fazer austeridade.

Mas, com as sanções, o BE poderá ser menos intransigente com o PS, em relação a linhas vermelhas fixadas?
Não traçámos verdadeiramente linhas vermelhas, traçámos trajetórias.

O BE admite rever as trajetórias?
Não. Isso seria admitir privatizar hospitais, caminhos de ferro, a água, continuar a desregulação laboral...

Então o PS ficará sem o apoio do BE?
Mas porque é que o PS há de querer fazer isso? Veja bem: se o PS quiser a mesma política da direita, pode fazê-la com a direita, não precisa de nós. Face a danos provocados pelas sanções, o país tem outra alternativa: recorrer ao que ainda não recorreu (e que o BE tem defendido desde sempre): reestruturar a dívida pública. Será um percurso difícil, que pode trazer problemas de ritmo, mas se for feito mantém a trajetória. E nós estamos cá para isso, não viramos as costas a nenhuma dificuldade. Não aceitamos é que a UE nos obrigue sempre e só à austeridade.

Fala todas as semanas com António Costa?
Não. Falo quando é preciso.

E qualquer um toma a iniciativa dos contactos?
É natural. As pessoas trabalham em equipa e há equipas dos partidos que se reúnem. Quando é preciso conversar, conversa-se, presencialmente, se for caso disso.

No Congresso do PS, vários altos dirigentes exprimiram palavras de apreço para com o BE (e o PCP). Não se ouviu nada de parecido na Convenção. Esse grau de estima não é recíproco?
Não são situações comparáveis. O Governo é do PS e isso acontece porque há uma maioria parlamentar que o permitiu. Há uma parte do PS que teve a coragem de não ceder a um Bloco Central. E acho isso importante. Foi tão difícil para o PS fazer esse caminho como é difícil para o BE apoiar um Governo socialista no Parlamento. Além disso, temos a noção de que os partidos socialistas europeus, incluindo o PS, fizeram uma colagem à direita, e são em boa parte responsáveis pelo que estamos a viver.

CONFRONTO Para Catarina Martins, a esquerda deixou-se armadilhar. Para Portugal, a única saída do beco é a renegociação da dívida

CONFRONTO Para Catarina Martins, a esquerda deixou-se armadilhar. Para Portugal, a única saída do beco é a renegociação da dívida

FOTO LUIS BARRA

Mas a fatura da terceira via não pode ser imputada a António Costa, que faz o caminho contrário.

O PS, tendo ouvido sempre discursos muito críticos do BE, também [deve] compreender, mesmo face ao passo de convergência que o Bloco deu, que para a maior parte dos militantes do BE foi complicado ter ouvido dirigentes do PS ao longo de toda a campanha eleitoral dizerem sempre que qualquer voto no BE era um voto na direita.

Isso não foi ultrapassado com os acordos?

O Bloco ultrapassou isso. O PS veremos, com o tempo. [Numa parte do PS] o desconforto com a solução à esquerda mantém-se de forma clara. E afirmações que o BE faz sobre o seu próprio projeto são sempre ouvidas com enorme sobranceria. Isso mantém-se e vai continuar. Portanto, não vale a pena fazer disso um problema.

A moção à Convenção de que foi a primeira subscritora quer “o Bloco à conquista da maioria”. Isso quer dizer exatamente o quê? E para quando?

“Isso” é o que estamos a fazer. O BE fez um caminho importante (o Bloco e a esquerda) quando foi possível o resultado eleitoral de outubro. Ou seja, quando um milhão de pessoas votou numa solução que não era o Bloco Central. Mas isso não chega! Precisamos de uma maioria social que esteja disposta renegociar a dívida para haver investimento e criar emprego.

Quando fala de maioria social, é o Bloco a conquistá-la ou a fazer parte dela? Há pouco falava do milhão de votos à esquerda do PS, mas ele é do BE e da CDU.À esquerda, como a ideia não é estar no Governo a fazer a política que a UE manda, só tem sentido estar lá se existir uma maioria social capaz de novas conquistas. O Bloco quer fazer essa alteração profunda: para isso é preciso mais do que o milhão de pessoas. Não achamos que o façamos sozinhos, mas devemos percorrer esse caminho.

Mas o BE quer ser o maior partido político?
O maior partido político só tem sentido se isso corresponder à exigência de uma maioria social (não tem de ser só de um partido, pode ser de mais) que queira uma transformação do país. Se queremos ser o maior partido político nesse cenário? Sim! Mas a nossa primeira responsabilidade é construir essa maioria.

E acha que o PCP tem a mesma disponibilidade para construir essa maioria social?
Julgo que o PCP quer uma maioria social para uma transformação do país.

As autárquicas são já um dossiê fechado? Não haverá coligações pré-eleitorais com PS e PCP?
As alianças nas autarquias não são algo que apareça oportunisticamente, à porta das eleições, para disfarçar divergências. A coligação na Madeira, em 2013, foi uma convergência construída ao longo de anos. Não sei se vai ser repetida, depende das condições da Madeira. Gostaria que sim, se as condições políticas se mantivessem. E seria interessante se a CDU viesse a integrar esse projeto. No resto do país não existiu esse caminho até agora.

Em Lisboa, concorrendo o Bloco e a CDU autonomamente, se a direita ganhar a Câmara, não teme o day after na geringonça?
Espero que a direita não ganhe, mas também espero que a Câmara comece a perceber que as pessoas de Lisboa têm de ter condições para aqui viver.

Uma aliança em Lisboa seria “disfarçar divergências”? Seria “oportunística”?
Com o tipo de negócios imobiliários que a Câmara de Lisboa fez nos últimos tempos, e com a luta que o BE fez contra eles, alguém acredita que estaríamos unidos?

Últimos tempos? Apenas os do atual presidente [Fernando Medina] ou também do anterior [António Costa]?
Do anterior e do atual. Não reescrevemos a história sobre essa matéria (nem sobre nenhuma outra).

Fez os primeiros anos da escola primária em África (os seus pais, professores, eram cooperantes). Como foi o seu primeiro contacto com o “outro”? Um choque? Descoberta?
Tinha seis anos quando cheguei a São Tomé. Fiz lá a primeira classe, a segunda e a terceira em Cabo Verde. Voltei a Portugal com nove anos. Nunca tinha andado de avião, mas não me lembro de qualquer choque. Lembro-me da escola, dos meus amigos. Quando olho para as fotografias percebo que era única pessoa branca nas turmas. Mas na altura não me lembro de pensar nisso. Lembro-me mais, por ser mais velha, do choque quando voltei à escola em Portugal.

De quê, concretamente?
Fui para uma cidade muito conservadora, Aveiro. Estava muito bem preparada em matérias como a matemática, mas na História era diferente. Em Cabo Verde, aprendi tudo sobre Amílcar Cabral, mas menos sobre os reis portugueses. Em Aveiro, quando acertava, ninguém dizia nada, era filha de professores, era natural que fosse boa aluna. Mas quando errava, era “coitadinha, veio da escola dos pretos”.

Em São Tomé e Cabo Verde foi confrontada com situações de pobreza que desconhecia. Como lidou com isso?
Mais em Cabo Verde do que em São Tomé, onde a terra dá tudo. Estive em escolas do centro do Mindelo e da Praia, e portanto um pouco protegidas desse pontos de vista. Mas a memória que tenho é a de uma viagem na Páscoa por todas as ilhas. Numa delas, já não me lembro qual, vi a realidade da fome (não era pobreza, era mesmo fome). [Catarina Martins fala com a voz embargada e os olhos ficam marejados]. Lembro-me de terem preparado para aqueles “turistas” um pequeno-almoço com imensas coisas. Recordo-me de que o meu pai não conseguiu comer, e de eu ter olhado para ele e também não ter conseguido. E isso foi duro.

Voltou a São Tomé ou a Cabo Verde?
Não.

Tem vontade?
Não sei.

Gostaria de levar lá as suas filhas [10 e 14 anos]? Já pensou nisso?
Confesso que me sinto incapaz de visitar alguns desses locais (e eles hoje estão diferentes) imaginando-os como resorts de férias. Só se tivesse tempo e disponibilidade para olhar para eles de outra forma.

Que idade tinha quando despertou em si uma certa consciência política?
Não faço a mínima ideia. Sempre vivi numa família de esquerda com diferenças de opinião e com capacidade crítica. Fiz parte de uma turma no ciclo preparatório, com muitos miúdos repetentes. Eram anos horríveis em Portugal, em que se dizia a crianças de 13 anos que iriam para estivadores. Isso acontecia em Aveiro. E nessa turma, a esses rapazes de 12 e 13 anos, havia professores que os corriam a todos com reprovações porque achavam que eles já não tinham safa. Nós organizávamos faltas coletivas às aulas contra aqueles professores. Isso não é política? Claro que é.

Tinha que idade?
Dez, onze...

As suas filhas (especialmente a mais velha), manifestam-lhe preocupações políticas?
A vida nas escolas hoje é muito diferente. Em muitas coisas muito melhor. A minha filha mais velha tem uma enorme preocupação com a questão da injustiça. Isso é bom.

É uma “politização” diferente da sua.
Sim, muito diferente. No meu tempo quem dirigia as escolas era eleito, agora as escolas não têm democracia. Antes tínhamos essa experiência desde que entrávamos na escola.

Fez o primeiro “cursinho” de teatro aos 12 anos...
Aos 12 ou 13. Talvez 13.

MEMÓRIA O início da escola primária foi passado em São Tomé e Cabo Verde. Aqui viu casos de fome que ainda a marcam

MEMÓRIA O início da escola primária foi passado em São Tomé e Cabo Verde. Aqui viu casos de fome que ainda a marcam

FOTO LUIS BARRA

Como é que isso surgiu? Já estava a germinar ou foi uma vontade súbita?
Sempre tive muito contacto com a cultura, os meus pais sempre tiveram muitos amigos ligados às artes, a cooperativas culturais. Eu fui aluna de música: a minha mãe diz sempre: aprender a ler e a escrever em matemática, em português e em música. Aprender os vários alfabetos.

Hoje o palco da sua vida é a política. O teatro está onde?
Não está [risos].

No teatro foi uma mulher dos sete ofícios, fez muita coisa
Que remédio! Fazemos todos muita coisa.

Com esta ausência, que já vai em sete anos, dos vários instrumentos que tocou (foi atriz, encenadora, dramaturga, gestora, entre outras coisas), qual é aquele a que pode voltar mais rapidamente alguém que deixou de ‘ir aos treinos’?
Há coisas que não se podem voltar a fazer. Para se ser atriz é preciso uma disponibilidade mental, física e um treino que é incompatível com o que faço hoje.

Mas eu falava num cenário em que deixasse a política...
Sim. É difícil voltar a algo que exige continuidade, disciplina e ritmo elevados. Nos últimos tempos o que eu fazia mais era dirigir projetos e escrever. A isso acho que é possível voltar.

As suas capacidades, as inatas e as adquiridas na profissão, dão jeito na política?
[Silêncio] O teatro é uma arte do coletivo. Isso é bom, ensina-nos qual é o nosso lugar em cada momento. É também uma arte da resistência, isso também é bom. Quem faz teatro não pode ir de bestial a besta, dos zero aos 100, em cada momento. E aprendemos a usar a adrenalina a nosso favor, e não contra nós.

Na campanha das legislativas, via-se-lhe uma certa timidez nos primeiros tempos. De repente, num dia em que andou de barco no Algarve, houve espécie de clique e libertou-se completamente, quase se transfigurou. Teve a noção disso?
Estava a tentar lembrar-me desse dia. [Pausa] Uma pessoa não nasce ensinada. Ter uma data de câmaras e de jornalistas à volta não é agradável. Não gosto de ser fotografada nem de ser filmada. Nunca tive problemas em fazer isso em teatro porque estava em personagem. Na política não há pose de personagem, tenho de ser eu, é horrível. A campanha confrontou-me com tudo ao mesmo tempo: a pressão da imprensa; a equipa do BE (com imensa vontade, todos à minha volta), a dar-me conselhos contraditórios; e depois eu devia ir ter com as pessoas (e, respeitando o espaço delas, achava que elas poderiam não querer aturar-me).

Mas nesse dia descobriu a forma de lidar com as coisas?
Lembro-me de duas coisas que aconteceram. Um jornalista fazia anos e nós cantámos-lhe os parabéns. E aí o foco não fui eu, foi ele. Também fomos convidados por um armador, e os trabalhadores do barco estavam mais ou menos afastados. Eu fui para o pé deles. E percebi que eles ficaram verdadeiramente contentes por poderem conversar comigo sobre as suas condições de trabalho, perguntaram-me o que queriam perguntar. Aí achei que se calhar as pessoas gostam que eu vá conversar com elas.

Nas suas aparições públicas, nunca estiveram o seu marido e as suas filhas. Se numa próxima campanha, a sua filha mais velha lhe disser “Mãe, eu quero aparecer ao teu lado”, já pensou na resposta?
[Risos] Não. Tenho de pensar. Eu nunca proibi as minhas filhas de fazerem nada. Às vezes elas aparecem em iniciativas do Bloco, com o pai. Outra coisa diferente é em momentos em que as câmaras estão sobre mim o assunto ser o meu marido e as minhas filhas.

Era esse cenário que queria colocar-lhe.
[Pausa] Acho que a minha família não é um assunto político nem um assunto público. Mas se alguma vez a minha filha deve ser limitada nas suas opções em relação ao que queira fazer pelas minhas opções, não. Nem para um lado nem para o outro.

Não lhe dirá não?
Não. Já terá idade para saber o que quer e eu terei de respeitar.

O que a surpreendeu mais em Lisboa, onde vive há sete anos?
Sempre vim muito a Lisboa, trabalhei aqui algumas temporadas. Desde que moro cá, o maior choque foi o tratamento das crianças por você na escola. A minha filha mais velha não percebia que se estavam a dirigir a ela. [Risos] Quando alguém lhe perguntava “tem fome?”, ela não respondia. Do ponto de vista da vida da cidade, há uma coisa que é muito impressionante: o preço da habitação. É impossível. Não acho que o Porto esteja bem, mas em Lisboa é impossibilitar as pessoas de viverem na cidade.

Já se imaginou a viver num mundo liderado por Donald Trump?
[Longo silêncio] Há um livro, “Eu Que Servi o Rei de Inglaterra”, de Bohumil Hrabal, que é a história de um rapaz que vai trabalhar para um hotel, quando os nazis começam a ascender ao poder. Há uma expressão que ele utiliza: “E o inacreditável tornou-se realidade”. A governação mundial financeira dos países faz com que as soberanias democráticas valham pouco. Temos dado passos terríveis para que o inacreditável se torne realidade todos os dias. Era bom que não se tornasse.