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Costa apresenta a receita para “nos livrarmos do diabo”

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Marcos Borga

Primeiro-ministro alude a frase que Pedro Passos Coelho terá dito numa reunião da bancada do PSD. “Gozem bem as férias que em setembro vem aí o diabo”, disse o líder social-democrata, segundo o “Público”

O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que é "com os olhos postos no futuro", com "estabilidade" e "políticas públicas certas" que o país se "livra do diabo", acrescentando que vai ser possível cumprir este ano as metas do défice.

"É com os olhos postos no futuro, com estabilidade, com políticas publicas certas e com a aposta na inovação que nós nos livramos do diabo e ganhamos confiança e capacidade para vencer no futuro. Essa tem que ser a nossa trajetória e é para isso que nós temos de trabalhar", afirmou António Costa em Matosinhos, distrito do Porto.

Para o primeiro-ministro, "se não nos concentrarmos na execução dos seis pilares fundamentais do Plano Nacional de Reformas (...), estaremos certamente daqui a uns anos não a celebrar que este foi o primeiro ano em que vamos conseguir cumprir as metas do défice, mas novamente a discutir sanções por não cumprirmos as metas do défice".

Na cerimónia do lançamento de Laboratórios Colaborativos na área aeroespacial e da mobilidade elétrica, que decorreu no CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto - Costa afirmou também que, "felizmente, o diabo já lá vai" e que o Governo está "centrado de novo naquilo que é essencial", aludindo uma frase que, de acordo com o jornal “Público”, Pedro Passos Coelho terá dito na reunião da bancada do PSD na passada terça-feira. "Gozem bem as férias que em setembro vem aí o diabo", disse, segundo o jornal, o líder social-democrata, na reunião que decorreu à porta fechada.

Para Costa, "houve um momento de hesitação e em que se pensou que podíamos voltar a andar para trás e que podíamos voltar a ser competitivos, não com base no conhecimento mas com base nos baixos salários, não apostando na inovação das energias renováveis mas discutindo o custo do investimento da energia renovável, em que se sacrificou a mobilidade elétrica".

"Mas felizmente o diabo já lá vai e estamos agora centrados de novo naquilo que é essencial: ter os olhos postos no futuro e perceber que só seremos competitivos mesmo enquanto investirmos na educação, do pré-escolar à educação de adultos", vincou.

António Costa apontou que a assinatura no CEiiA do contrato do desenvolvimento de um Laboratório Colaborativo na área do aeroespacial e da mobilidade elétrica "significa o compromisso de quem produz o conhecimento, de quem o pode transmitir às empresas e das empresas em que é essa inovação que vai ser o futuro" do país.

Também com a assinatura de um protocolo para a concretização de um novo veículo elétrico interativo e com capacidade autónoma em meio urbano é possível perceber "que, de facto, é preciso ter os olhos postos no futuro", referiu.

"E para isso é necessária estabilidade nas políticas públicas, de forma a que elas possam ter continuidade", disse. "Nós não podemos dizer que o conhecimento é hoje prioritário e voltar a dizer amanhã que o que é prioritário é baixar salários, não."

Costa disse que o país não pode voltar a equivocar-se quanto ao caminho a desenvolver no futuro, defendendo uma aposta "no emprego qualificado, em emprego melhor, porque é esse que fixa e atrai talento".

"Foi muito bom termos sabido que o desemprego baixou 4,4% de maio para junho e 4,7% de junho passado para julho deste ano, mas o desemprego não continuará a descer sustentadamente se andarmos para trás, só descerá sustentadamente se apostarmos na inovação e, para além de diminuirmos o desemprego, aumentarmos o emprego de qualidade, o emprego técnico, cientifico, o emprego que gera valor", sustentou.