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Montenegro: “Insuficiência do resultado não está focada nos deputados do PSD, é coletiva”

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Alberto Frias

O líder parlamentar do PSD sublinhou que o voto foi secreto para todos os deputados e criticou a linguagem de Carlos César, aconselhando-o a “refrescar as ideias”

O líder parlamentar do PSD vincou esta quarta-feira que o voto secreto foi para todos os grupos parlamentares na eleição falhada de Correia de Campos para o Conselho Económico e Social (CES) e criticou a linguagem do homólogo socialista, aconselhando-o a refrescar as ideias.

"O voto secreto não foi só para os deputados do PSD, foi para os do PS, do PCP, do BE, do PEV, do CDS e para o deputado do PAN", afirmou Luís Montenegro, à chegada ao hotel lisboeta onde decorre a reunião do Conselho Nacional social-democrata.

O presidente e líder parlamentar do PS, Carlos César, ainda na Assembleia da República, acusara o PSD de ter inviabilizado a eleição e avisou que outros acordos, como a indicação pelos sociais-democratas para Provedor de Justiça podem vir a ser ponderados.

"Há partidos que dão valor aos seus compromissos, há pessoas que honram a sua palavra, mas não foi nem é o caso do PSD", disse César, acrescentando que "só o PSD pode encontrar razões para se envergonhar de si próprio".

Sem querer "contribuir para baixar o nível quer da linguagem quer do diálogo político e democrático entre os dois maiores partidos do parlamento português", Montenegro avisou que, "se o PS e Carlos César, em particular, acham que é com a linguagem que vieram utilizar que resolvem este problema, vão por um caminho muito mau e não contribuem para resolver o problema".

"Nós esperamos que o PS e o seu líder parlamentar possam refrescar as ideias e conduzir este processo de maneira a resolvê-lo", continuou o deputado do PSD, embora reconhecendo não poder "pôr nem deixar de pôr (as mãos no fogo pelos votos dos deputados do PSD)", antes de "lamentar o resultado" e prometer que o seu partido fará "todo o esforço para cumprir o compromisso".

Segundo o parlamentar social-democrata, "a insuficiência do resultado não está focada nos deputados do PSD, é coletiva", pois a eleição "tinha, à partida, o apoio de PS e PSD e de outros grupos parlamentares".

"Convém recordar que, só os partidos que suportam o Governo - mesmo sem os deputados do PSD, se por absurdo nenhum tivesse votado -, perfazem 122 deputados e o candidato teve 105. Eu posso assegurar que muitos deputados do PSD, incluindo eu próprio, votaram naquele candidato", disse.

Na sessão plenária da Assembleia da República, a eleição para a presidência do CES do antigo ministro socialista Correia de Campos falhou a obtenção de 221 deputados votantes para a necessária maioria de dois terços.

Entre os 221 deputados que votaram, Correia de Campos obteve apenas 105 votos a favor, registando-se 93 brancos e 23 nulos.