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Carlos César sobre o chumbo de Correia de Campos: “Há pessoas que honram a sua promessa. Não foi o caso do PSD”

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Pedro Nunes/Lusa

O líder da bancada parlamentar do PS criticou o PSD, acusando-o de falhar o acordo celebrado para a eleição de António Correia de Campos para o Conselho Económico e Social. Luís Montenegro afirmou que o resultado “ficou muito aquém” da “expectativa” do PSD

O líder parlamentar do PS, Carlos César, criticou a "falha na honra parlamentar" do PSD, depois de António Correia de Campos - nome indicado pelo PS e acordado com os sociais-democratas para o Conselho Económico e Social - não ter sido eleito.

"Dada a natureza das eleições, foi celebrado um acordo entre o PS e o PSD para permitir a votação. Esperar-se-ia que o PSD também votasse a favor", afirmou Carlos César, no final da sessão plenária, em reação à falha na eleição de Correia de Campos.

"Há partidos que dão valor aos seus compromissos. Há pessoas que honram a sua promessa. Não foi o caso do PSD", afirmou. Questionado sobre como é possível saber se os votos em falta foram os do PSD se o voto é secreto, Carlos César sublinhou novamente o acordo estabelecido entre os dois partidos. "Existia um acordo. Seria inverosímil que o professor Correia de Campos não tivesse o apoio total do PS", respondeu, sublinhando que o ex-ministro da Saúde é tido como uma "personalidade icónica".

O líder parlamentar socialista disse que a "situação" ainda irá ser ponderada. "No início da sessão legislativa anunciamos a nossa decisão", acrescentou.

PSD: “Não podemos identificar como votou cada deputado”

Por outro lado, Luís Montenegro, o líder do grupo parlamentar do PSD, também reagiu, sublinhando que este é um "exercício livre de voto". "O voto foi secreto. Não podemos identificar como votou cada deputado", sublinhou. "No PSD vamos redobrar o nosso esforço para simbolizar os deputados quando houver um novo processo eleitoral, uma nova candidatura."

Montenegro disse, porém, que o partido mantém o acordo feito com o PS sobre o futuro presidente do Conselho Económico Social (CES), mesmo após ter sido chumbado o nome de Correia de Campos.

"O resultado ficou muito aquém daquilo que era a nossa expectativa, mas quero de forma muito serena e solene afirmar que da parte do PSD mantemos o compromisso de propor e eleger conjuntamente com o PS o presidente do CES", com o nome a ser indicado pelos socialistas, declarou.

O líder social democrata acrescentou que terá de haver nesta fase um "novo processo eleitoral", a decorrer já depois das férias de verão, sendo "absolutamente prematuro" falar nisso agora. Para tal, terá de se construída "uma candidatura suficientemente apoiada" para se chegar a um nome para o CES, seja o mesmo - Correia de Campos - ou um novo nome a indicar no futuro.

A cerimónia de tomada de posse no CES já estava marcada para esta sexta de manhã (11h) e Correia de Campos preparava-se para presidir a uma reunião deste órgão na sexta-feira à tarde.

Das quatro entidades para as quais o Parlamento votou esta quarta-feira - presidência do CES, Conselho Superior de Magistratura, Tribunal Constitucional e Conselho de Fiscalização do Segredo de Estado - foi o único caso em que a eleição falhou.