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BE e PCP não desistem da borla de agosto na ponte 25 de Abril

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ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

Indiferente ao buzinão, o Governo socialista alinha pela bitola de Passos Coelho (que se limitou a aplicar uma proposta de Sócrates) e vai manter as portagens na ponte 25 de Abril durante o mês de agosto. A maioria de esquerda ditou reversões, mas esta terá ainda de esperar

Na quinta-feira, pelas oito da manhã, um buzinão far-se-á ouvir novamente na ponte 25 de Abril. Convocado pela Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, o sonoro protesto exige a “reposição da isenção de portagens no mês de agosto” (uma borla que o Governo de Pedro Passos Coelho aboliu, em 2011).

Uma situação que o Executivo socialista vai perpetuar. Fonte do ministério do Planeamento e das Infraestruturas garantiu ao Expresso que “as portagens são para manter”.

Assim, se a inédita maioria de esquerda permitiu reversões, este não será certamente o caso. Apesar dos apelos explícitos nesse sentido feitos pelo movimento que convoca o buzinão: “No atual quadro político, resultante da nova correlação de forças na Assembleia da República, a Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul considera absolutamente necessário, justo e inadiável, que o Governo em funções reponha, em agosto, a isenção do pagamento das portagens na Ponte 25 de Abril”.

Uma “discriminação inaceitável”

A comissão de utentes lembra que “aqueles que residem, trabalham e estudam na margem sul do Tejo são os únicos portugueses que têm de pagar portagens nas pontes sobre os rios em Portugal“, o que se traduz numa “discriminação inaceitável”.

À esquerda do PS, o regresso do buzinão em defesa da isenção de portagens em agosto parece ter apanhado tanto o Bloco de Esquerda como PCP um pouco a meio da ponte.

Numa declaração por escrito, o deputado do BE Heitor de Sousa lembra que o seu partido “teve sempre uma posição favorável à isenção das portagens” em agosto.

Salientando que “a suspensão da isenção penalizou sobretudo as famílias com menos poder de compra, as pequenas transportadoras e o pequeno comércio”, o parlamentar bloquista constata que “não foi ainda possível encontrar com o Governo um compromisso que garanta a reposição da isenção”.

Contudo, para o Bloco, o fim das portagens em agosto manter-se-á na ordem do dia: “Não desistiremos de fazer esse caminho”, afirma Heitor de Sousa.

O PCP, pela voz do deputado Bruno Dias, considera "a luta das populações" algo da "mais elementar justiça". O parlamentar comunista, eleito pelo distrito de Setúbal, situa a isenção em agosto no "problema mais amplo da política de portagens e das parcerias público-privadas (PPP)".

Ante a insistência do Expresso, Bruno Dias parece escolher cuidadosamente as palavras para evitar um choque frontal com o Executivo, mas deixa o recado: "A afirmação do Governo é muito clara: as portagens são para manter. Mas como no passado outras injustiças foram derrotadas pela ação das pessoas, esta também o será". Uma luta em que "o PCP vai manter o seu empenhamento", assegura.

Fim da isenção apresentado no Governo Sócrates

Durante muitos anos, a isenção de portagens na ponte 25 de Abril foi entendido, entre outras coisas, como uma forma de facilitar o escoamento de trânsito entre as duas margens do Tejo, num período em que a corrida às praias da Costa de Caparica gera engarrafamentos ainda maiores em certos períodos do dia.

O fim da isenção foi decretado pelo Governo de Pedro Passos Coelho, em 2011, mas o Executivo de PSD e CDS limitou-se a dar seguimento a uma proposta que já fora apresentada em outubro do ano anterior, quando Portugal ainda era governado por José Sócrates.

(Artigo publicado no Expresso diário de 19/07/2016)