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PCP quer Governo a “resistir à chantagem” de Bruxelas. BE não reage por enquanto

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Luís Barra

Só comunistas reagiram, por agora, à carta enviada por Mário Centeno às autoridades europeias. Mas os dois partidos que suportam o Governo do PS esperam que o Governo mantenha os compromissos com a geringonça

João Oliveira reagiu na sede nacional do PCP à resposta dada pelo Governo português às autoridades europeias, sobre a possibilidade de aplicações de sanções a Portugal por derrapagem das metas orçamentais.

O líder parlamentar comunista diz que o Executivo de António Costa deve resistir "à ingerência" das instituições europeias no Orçamento do Estado. "É fundamental resistir e enfrentar as pressões e chantagens que são feitas pela UE defendendo a soberania nacional e um caminho de desenvolvimento para o nosso país", disse.

A declaração do dirigente comunista surgiu a propósito das notícias tornadas públicas sobre as dúvidas de Bruxelas sobre a possibilidade de recapitalização da CGD. Mas, acabou por abranger também a troca de informações entre o Governo e a União Europeia a propósito da derrapagem orçamental.

No seu habitual comentário na SIC, Marques Mendes revelou, no domingo, uma carta do Banco Central Europeu (BCE) em que se que questionava o alegado plano de contratação de 19 administradores para o banco público, a possível acumulação de funções do presidente do conselho de administração e comissão executiva, a experiência bancária de alguns dos nomes em causa e possíveis conflitos de interesse, além da necessidade de um plano de recapitalização alternativo à intervenção estatal.

João Oliveira criticou a "convergência" do antigo líder social-democrata e agora comentador político com a ação de PSD e CDS "na desestabilização da CGD, considerando que o seu objetivo é "a fragilização no plano mais longo para liquidar o banco público e o objetivo mais imediato de criar negócio para os bancos privados".

"Durante quatro anos, assistimos a uma situação em que a Comissão Europeia ditava e o Governo, diligentemente, cumpria. O resultado está à vista: desemprego, pobreza, destruição da economia, meio milhão de portugueses emigrados", lamentou o líder da bancada parlamentar do PCP, apelando aos órgãos de soberania nacionais para a rejeição de operações de pressão sobre o país. Jerónimo de Sousa já tinha classificado de "inaceitáveis" as eventuais sanções a aplicar por Bruxelas e, este fim de semana, delimitou bem a relação entre o PCP e o Governo socialista, esclarecendo que não está disponível para passar cheques em branco a qualquer acção do Executivo. "Levaremos a nossa palavra até ao fim, como partido sério, votando, no que é bom para os trabalhadores e para o povo e votando contra aquilo que for negativo para os trabalhadores e para o nosso povo".

Bloco aguarda

Do lado bloquista, não houve qualquer reação à carta enviada pelo Governo a Bruxelas. "Não está prevista qualquer resposta, por agora", disse fonte do BE admitindo que até ao final da semana seja clarificada a posição do partido sobre esta matéria. Tal como o PCP, porém, os bloquistas assumem que esperam do Governo "a continuação do programa de discussão das perspectivas orçamentais para 2017 com os grupos de trabalho" de ambos os partidos e que estão já marcadas para o final deste mês.

A perspectiva de que António Costa mantenha os compromissos assumidos com os partidos que lhe garantem a maioria parlamentar é o ponto de honra, tanto de PCP como do BE. E, numa primeira leitura da missiva enviada pelo Governo à UE, "esse compromisso parece garantido", disse fonte bloquista.