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Passos sente “revolta” pela forma como Costa conduz o país

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STEVEN GOVERNO / LUSA

“Essa é a revolta que sinto, por saber que este processo está a decorrer de forma consciente por parte das autoridades”, disse o líder do PSD em entrevista à TSF e ao DN

O líder do PSD Pedro Passos Coelho afirmou, numa entrevista à TSF e ao DN publicada na íntegra este sábado, que sente “revolta” pela forma como o primeiro-ministro António Costa está a conduzir o país. “O risco que estamos a correr é o défice ficar acima dos 3%”, declara. “E quando ouço o ministro das Finanças e o primeiro-ministro dizerem que não, parece conversa de pura demagogia política de quem está à espera de eleiçõezinhas daqui a uns meses e quer chegar lá em boas condições.”

Passos Coelho diz ter muitas dúvidas em relação à possibilidade do Governo chegar à meta do défice abaixo dos 3%. “Cada vez menos acredito nesse resultado. As pressões orçamentais são muito grandes. O Governo está a funcionar com menos dinheiro para investimento (este cortou tudo no investimento público). A despesa de funcionamento tem menos dinheiro.” E acusa o atual Executivo de andar “a chutar a despesa para a frente”.

Questionado sobre a possibilidade das suas previsões em relação ao défice poderem estar erradas, Passos atira: “em teoria sim. Mas em teoria - com o Dr. António Costa comprovou - as vacas voam.”

A “retórica incendiária” da Caixa

Em relação ao sistema bancário - e, em particular, à situaçção da Caixa Geral de Depósitos (CGD) - o líder do PSD aponta mais uma vez o dedo ao Governo pela sua retórica “incendiária”. “Tenho ouvido uma retórica do Governo que é incendiária em relação ao sistema financeiro e que só procura criar a convicção de que o Governo herdou uma situação caótica na banca que impede hoje o país de crescer e o Governo de fazer o que queria.”

Acusa Costa de denegrir o trabalho do Governo anterior, através de uma estratégica que torna “o sistema financeiro ainda mais vulnerável.” “A CGD tem um acionista, o Estado terá de resolver o problema. Se fosse PM estaria a fazer o necessário para recapitalizar. Mas não estaria a fazer, de forma perigosa e inaceitável, o que o ministro das Finanças fez: dizer que havia um desvio de 3 mil milhões. Está a induzir as pessoas em erro. Não existe um buraco na CGD, não é sério. Em vez de desmentir as necessidades que têm sido noticiadas - mais de cinco mil milhões, que não são verdadeiras e será menos de metade -, está a lançar uma suspeita sobre a CGD e sobre o resto dos bancos portugueses. E isso vai estourar-lhe nas mãos.”

Estas são algumas das razões que diz contribuírem para aumentar a sua revolta em relação à governação do atual Executivo. “Não sou de virar a cara, nem de ter flutuações de humor. Nós temos um caso difícil no país e de probabilidade de sucesso modesta. Mas valia a pena lutar por ela. Este Governo está a transformar um caso de probabilidade de sucesso difícil numa probabilidade de fracasso elevada.” E isso, segundo garante, causa-lhe desgosto e revolta, “por saber que este processo está a decorrer de forma consciente por parte das autoridades.”