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Cavaquistas promovem mega-almoço no dia de homenagem a Soares. PR vai aos dois

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Mário Soares e Cavaco Silva 
quando um era PR e o outro PM

Rui Ochoa

De um lado, a homenagem ao estadista “ímpar’’. Do outro, a comemoração do 40º aniversário do I Governo Constitucional

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Um grupo de cavaquistas de sempre marcou um mega-almoço de homenagem a Cavaco Silva para sábado, dia 23, precisamente o dia em que, ao fim da tarde, decorre, também em Lisboa, uma homenagem organizada por António Costa a Mário Soares. Não é fácil descobrir onde está o ovo e onde está a galinha — ambos os lados dizem ter começado a pensar nos respetivos eventos há bastante tempo. Certo é que os dois protagonistas de uma das relações mais tensas e cínicas da vida política portuguesa vão ser homenageados no mesmo dia. Num simbólico e derradeiro despique.

Do lado de Cavaco, ninguém quer falar de homenagem, preferem “almoço de amigos”, e a data é associada à proximidade do dia de aniversário do ex-primeiro-ministro e ex-Presidente da República, que ontem fez 77 anos e que confirmou ao Expresso a sua presença. O núcleo organizador desta iniciativa inclui um grupo de pessoas que ao longo dos últimos anos mantiveram uma relação sempre próxima com Cavaco Silva, entre eles Leonor Beleza, Rocha Vieira, Manuela Ferreira Leite, Alexandre Relvas, João Lobo Antunes, Luís Palha e Luís Sousa de Macedo. Estão convidadas cerca de 80 pessoas, o local escolhido é o Hotel Pestana, e na lista de convidados estão ex-colaboradores e amigos do ex-Presidente e ex-primeiro-ministro. Os organizadores não excluem que, a partir do momento em que o evento é divulgado, o número de inscrições tenda a aumentar. E estão preparados para isso.

Marcelo Rebelo de Sousa foi convidado — nunca terá sido um grande amigo de Cavaco mas foi líder do PSD e cruzaram-se várias vezes na história do partido — e irá ao Pestana dar um abraço a Cavaco Silva. Horas depois, irá abraçar Mário Soares, à entrada da homenagem que o líder do PS e primeiro-ministro está a organizar ao velho fundador do Partido Socialista, ex-PM e, como Cavaco, ex-chefe de Estado.

Soares volta a S. Bento

O pretexto, neste caso, é a passagem dos 40 anos sobre a posse do primeiro Governo Constitucional, liderado por Mário Soares. A cerimónia decorrerá no fim da tarde nos jardins do palácio de São Bento — residência oficial do chefe de Governo, há 40 anos de Soares e hoje de António Costa — e terá como oradores convidados Francisco Pinto Balsemão e Rui Vilar. O primeiro na qualidade de ex-primeiro-ministro constitucional mais antigo, o segundo como membro desse Governo.

Os cavaquistas excluem qualquer intenção de fazer braço de ferro com Soares. Mas se há convicção que lhes assiste é que Cavaco foi o melhor primeiro-ministro do pós-25 de abril e que ficará para a história como o chefe de Governo mais reformista e um estadista “ímpar.”

Ao que sabe o Expresso de fonte oficial, a homenagem a Mário Soares surgiu no contexto das várias comemorações do 40º aniversário que se cumprem este ano, entre elas o da tomada de posse do primeiro Governo, liderado pelos socialistas, na sequência das primeiras eleições legislativas realizadas. Ao mesmo tempo, foi uma oportunidade para homenagear o histórico líder socialista, cujo estado de saúde o impede neste momento de ter uma participação cívica mais ativa.

Para a cerimónia foram convidados todos os ex-PM, assim como os membros ainda vivos desse Governo. Cavaco Silva disse ao Expresso não ter recebido ainda nenhum convite, mas admite que isso ainda aconteça no decorrer da próxima semana.

Excluindo o próprio Soares, Pinto Balsemão é hoje o mais antigo primeiro-ministro vivo (exerceu o cargo entre 1981 e 1983), liderando o 7º e o 8º Governos da então AD, depois da morte de Sá Carneiro. A sua relação Mário Soares data de antes do 25 de abril e foi sempre boa, atravessando os vários períodos políticos. “A amizade sempre prevaleceu sobre as divergências”, afirmou Balsemão ao Expresso, frizando que é, aliás, fundador da Fundação Mário Soares.