Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Estado da Região: Albuquerque prepara-se para as autárquicas

  • 333

HOMEM DE GOUVEIA/ Lusa

Parlamento madeirense discutiu, pela primeira vez, o Estado da Região, com Miguel Albuquerque a pensar já em recuperar câmaras nas autárquicas de 2017. O presidente disponível com a oposição há um ano deu lugar ao líder partidário para quem os adversários estão em “negação”, sem alternativas e presos à “maledicência”. E, apesar da esquerda ser boa apenas para “organizar manifestações de rua e desorganizar a economia”, o presidente não escondeu “o orgulho” por ter participado no primeiro debate do estado da Região da história da autonomia

Marta Caires

Jornalista

Miguel Albuquerque acusou a oposição de estar “em negação”, presa à “maledicência”, sem alternativas, dada “à coreografia comiceira” de uma “esquerda que nunca sai da adolescência” e incapaz de ver os inúmeros sucessos do executivo regional. O primeiro debate do Estado da Região, que decorreu esta sexta-feira na Assembleia Legislativa, mostrou um presidente muito diferente daquele que tomou posse há 15 meses, o mesmo que prometeu anotar todas as críticas e sugestões que os partidos da oposição faziam ao programa do Governo. Albuquerque foi apenas suave com o CDS, “um partido responsável”.

Um ano e pouco de mandato e o Governo Regional vê já a Madeira como um lugar melhor e diferente do “antigamente”. O “antigamente” foi a forma encontrada pelos secretários regionais e deputados do PSD para definir os anos de poder do PSD de Jardim. O novo ciclo, como lembrou Albuquerque logo a abrir a discussão, permitiu um desagravamento fiscal, a diminuição dos preços dos combustíveis, transportes aéreos mais baratos, incentivos para o investimento, descida do desemprego, melhorias no turismo e na agricultura.

A versão “do paraíso na terra” ou da “terra do leite e do mel” - como ironizaram o PS e o BE - foi contrariada por toda a oposição que não deixou passar em claro os mais de 15 mil madeirenses que esperam por uma cirurgia no serviço regional de Saúde. E foi para a Saúde a maioria das críticas, mas houve também perguntas sobre a concessão do Centro Internacional de Negócios ao Grupo Pestana, a revisão da lei eleitoral e a reorganização da operação portuária, a que funciona há 20 anos com uma licença temporária. Assuntos sobre os quais Miguel Albuquerque foi menos efusivo e até esquivo.

As questões, algumas como a reorganização da operação portuária fazem parte do programa de Governo, mas são mais complicadas, não se resolvem num ano. Além disso, o mandato tem quatro anos e haverá tempo para tratar de tudo, mesmo de assuntos aos quais Miguel Albuquerque não quis falar de forma aberta como a revisão da lei eleitoral. A ideia inicial, a que foi apresentada em 2015, passaria pelo regresso dos círculos concelhios nas eleições regionais, o que retiraria representatividade ao Parlamento regional, o que mais diverso e mais representativo do país. Na Assembleia Legislativa, estão representados PSD, PS, JPP, CDS, BE, PCP, PTP e um deputado independente.

Já a concessão do Centro Internacional de Negócios – que neste momento é partilhada entre o Governo e o Grupo Pestana – ficou a garantia de que a gestão continuará a ser privada, mesmo depois de concluídas as negociações para a nova concessão. A atual termina em 2017. O presidente do Governo Regional entende que se passasse para o âmbito público perderia competitividade. A única garantia que deixou foi a de garantir à Região uma participação acima dos 25% que tem agora na concessão que gere o Centro Internacional de Negócios.

Apesar de afirmar o “orgulho” de ser o primeiro presidente do Governo Regional a estar num debate do Estado da Região na Assembleia Legislativa, Albuquerque foi também o líder do PSD-Madeira a pensar já no primeiro teste eleitoral - as autárquicas de 2017 – e no radar estiveram as câmaras que são da oposição, sobretudo às do PS e do JPP. Ou melhor, a Câmara de Santa Cruz, do Funchal e de Machico, três municípios mais populosos da Madeira, e onde o presidente do Governo diz que há muitas queixas e incapacidade para atender aos interesses das populações. Neste momento, o PSD é poder apenas em quatro das 11 câmaras da Região.

Embora o tom tenha sido pouco condescendente com a oposição e duro até com os gestores dos bancos nos últimos anos em Portugal, as tais “criaturas que deviam ir parar atrás das grades”. Apesar da nova estratégia- já a pensar nas eleições do próximo ano - o líder madeirense nunca se excedeu, nem mesmo quando se dirigiu aos partidos da geringonça ou quando disse a Roberto Almada do BE que “andava nas nuvens” por causa do perfume inebriante do poder”. O que, disse, era uma graça e “sem ofensa”. Nem sequer José Manuel Coelho conseguiu desestabilizar o debate com um barco de piratas feito em lego, que ofereceu ao presidente do Governo.

Um voto de silêncio pelas vítimas de Nice

O debate do estado da Região não passou ao lado do atentado terrorista que matou 84 pessoas em Nice. Os deputados fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas e o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira emitiu uma mensagem de pesar onde expressa total solidariedade com as vítimas e para com toda a nação francesa, “tão fustigada nesta difícil guerra contra o terrorismo”.