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Uma contratação “particularmente escandalosa”. Governante francês pede a Barroso para não ir para a Goldman Sachs

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Rui Duarte Silva

“O senhor Barroso fez a cama dos antieuropeus. Apelo, pois, solenemente, a que abandone esse cargo”, apela o secretário de Estado dos Assuntos Europeus francês Harlem Désir

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus francês pediu solenemente esta quarta-feira ao antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso para não aceitar trabalhar na Goldman Sachs, lembrando o papel do banco na Grécia e durante a crise financeira.

“O senhor Barroso fez a cama dos antieuropeus. Apelo, pois, solenemente, a que abandone esse cargo”, disse Harlem Désir perante os deputados franceses, referindo-se ao cargo de presidente não executivo e conselheiro da Goldman Sachs no seguimento da decisão britânica de sair da União Europeia.

Para o governante francês, esta contratação “é particularmente escandalosa tendo em conta o papel desempenhado pelo banco durante a crise financeira de 2008, mas também o papel na camuflagem das contas públicas da Grécia”.

Defendendo alterações às regras sobre as incompatibilidades dos líderes europeus quando saem dos cargos, Harlem Désir considerou que “moralmente, politicamente, eticamente, é uma falha por parte do senhor Barroso” e acrescentou que “este é o pior serviço que uma ex-presidente de uma instituição europeia poderá dar ao projeto europeu num momento da história em que, pelo contrário, precisa de ser sustentado, mantido e reforçado”.

O banco norte-americano Goldman Sachs anunciou na na semana passada a contratação de Durão Barroso como presidente não-executivo da instituição e de consultor, num momento em que o setor financeiro foi abalado pelas dúvidas sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

"Evidentemente, que conheço a União Europeia e o contexto britânico relativamente bem. Se o meu conselho for útil em tais circunstâncias, estou pronto a ajudar", comentou Durão Barroso, em declarações ao Financial Times.

Durão Barroso não violou qualquer regra, uma vez que, 18 meses depois de ter terminado o seu mandato, nada obriga os ex-membros da Comissão Europeia a prestar contas à instituição.

“Os ex-comissários, obviamente, têm o direito de prosseguir a sua carreia profissional ou política”, disse um porta-voz da Comissão Europeia, acrescentando que é legítimo as pessoas com grande experiência e qualificações desempenhar funções de liderança no setor público ou privado.

Em declarações ao semanário Expresso, Durão Barroso afirmou que se é "criticado por ter cão e por não ter".

“Se se fica na vida política é porque se vive à conta do Estado, se se vai para a vida privada é porque se está a aproveitar a experiência adquirida na política”, acrescentou o antigo primeiro-ministro ao semanário.