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Funcionários da Comissão contra recrutamento de Barroso

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PATRIK STOLLARZ/Getty

Maior sindicato dos funcionários da Comissão Europeia junta-se ao coro de protestos contra recrutamento de Durão Barroso pelo Goldman Sachs

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O Union for Unity (U4U), considerado o maior sindicato dos funcionários da Comissão Europeia, apelou ao colégio de comissários para fazer uma "forte declaração e tomar uma decisão apropriada" relativamente ao anúncio da contratação de Durão Barroso para presidente não executivo do banco de investimento Goldman Sachs.

A tomada de posição do sindicato foi assumida numa carta aberta, onde se refere que a contratação de Barroso "levanta questões éticas".

"Em particular, queremos sublinhar que Barroso presidiu à Comissão durante a chamada crise do sub-prime, que era efetivamente uma crise bancária, na qual o Goldman Sachs desempenhou um importante papel", diz-se na carta do U4U.

Entretanto, um grupo de funcionários de instituições europeias lançou uma petição a apelar à tomada de medidas exemplares contra o recrutamento de Barroso pela Goldman Sachs, considerando que o seu comportamento é “moralmente condenável” e “desonra” a UE.

Legalmente, Durão Barroso estava obrigado a respeitar um "período de nojo" por um período de 18 meses, que terminou em maio passado, durante o qual teria de informar a Comissão e obter um parecer da Comissão de Ética.

Os ex-presidentes recebem um subsídio durante três anos após abandonarem o cargo, que pode ir até 60% do seu salário (mais de 25 mil euros) ou 15 mil euros por mês. Este subsídio deveria precisamente prevenir eventuais conflitos de interesses.

Governantes, eurodeputados e comissário contra

A tomada de posição do sindicato junta-se a outras vozes, como as dos secretários de Estado franceses dos Assuntos Europeus e do Comércio Externo, que já tomaram publicamente posição contra.

O primeiro, Harlem Desir, considerou a contratação "particularmente escandalosa" e o segundo, Mathias Fekl, reagiu logo na sexta-feira que ela representava "a velha Europa que a nossa geração irá mudar".Também os eurodeputados franceses reclamaram, tendo a líder da delegação francesa, Pervenche Berès retomado o seu apelo de 2010 de boicotar o Goldman Sachs.

Os socialistas franceses apelaram também à revisão do Código de Conduta dos Comissários, de aumentar a alargar o "periodo de nojo" de 18 meses para cinco anos. O eurodeputado do centro direita Jean Arthuis escreveu num tweet que "Barroso pensa logicamente, ele quer perceber como é que o Goldman Sachs o enganou nas contas públicas gregas".

Entre os eudodeputados portugueses, Carlos Zorrinho critica também hoje severamente no jornal i a decisão de Durão Barroso. "Ao tornar-se assalariado de uma grande representante do capital financeiro, Durão Barroso descapitalizou a réstia de capital político que ainda detinha e prestou um mau serviço à transparência democrática", escreveu.

E acrescenta: "Reverteu um caminho que poderia ter sido de prestígio e grandeza e que, pelo seu comportamento ético e moral, se tornou uma vereda de desconfiança e descrédito". "A forma de trepar não é indiferente e Durão trepou pelo lado errado, ou seja, através do sacrifício e do sofrimento dos cidadãos europeus em geral e dos portugueses em particular", escreve ainda.

Também esta quarta-feira o comissário Pierre Moscovici disse à estação de rádio francesa Europe 1 que apesar de "não estar proibido", o ex-presidente da Comissão Europeia deveria ter feito uma "reflexão política, ética e pessoal". Na terçafeira- tinha mesmo qualificado o recrutamento de Barroso como "chocante".