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Passos não vê conflito de interesses na ida de Durão Barroso para a Goldman Sachs

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STEVEN GOVERNO / LUSA

O presidente do PSD argumentou que os ex-comissários têm já “um período de nojo” e “estão impedidos de trabalhar em áreas em que tutelaram”, elogiando Durão Barroso e considerando que vai “acrescentar valor” à Goldman Sachs

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou este sábado em Ansião, Leiria, que não vê qualquer conflito de interesses na ida do ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso para a Goldman Sachs, elogiando o antigo líder social-democrata.

"Eu não vejo nenhuma questão que possa deixar um conflito de interesses ou qualquer outra matéria que constituísse um impedimento dessa natureza", sublinhou, referindo que os ex-comissários têm já "um período de nojo" e "estão impedidos de trabalhar em áreas em que tutelaram".

Segundo Passos Coelho, este "não é o caso", sublinhando que "não há nenhum favorecimento que possa ter praticado, quando foi presidente da Comissão Europeia, a esta empresa em particular".

Além disso, "não há nada do ponto de vista político que [Durão Barroso] faça hoje para beneficiar uma empresa, porque agora está fora da atividade política e não está em lugares de representação política".

Para o líder do PSD, o ex-presidente da Comissão Europeia está "preparadíssimo" para o banco de investimento Goldman Sachs, não tendo ficado surpreendido com a ida deste para um lugar só acessível a pessoas "com uma grande craveira".

Passos Coelho mostrou-se "muito satisfeito" pela função que Durão Barroso vai desempenhar no banco de investimento, com sede em Nova Iorque, acreditando que o ex-presidente da Comissão Europeia vai "acrescentar valor" ao Goldman Sachs, como o poderia fazer "em qualquer outro banco importante no mundo".

"Foi um grande presidente da Comissão Europeia, que liderou a Comissão com muita inteligência e com coragem, num dos períodos mais complexos e difíceis da vida da União Europeia", salientou o líder social-democrata, referindo que Durão revelou "capacidade de liderança e sentido estratégico".

Quanto às críticas, o presidente do PSD tem "alguma dificuldade em compreendê-las", classificando de mesquinhos alguns dos comentários feitos em torno da ida de Durão Barroso para aquele banco, onde vai assumir funções de presidente não executivo.

"Muitos dos comentários que são feitos, são feitos duma forma personalizada, pessoalizada, mostrando aquilo que a política tem de pior", enfatizou Passos Coelho.

Durão Barroso, com quem Passos Coelho nem sempre esteve de acordo, é "uma pessoa muito bem preparada e, de certeza, deixará um bom exercício na função que vai agora desempenhar".

Pedro Passos Coelho falava aos jornalistas antes do começo do jantar concelhio do PSD/Ansião, no distrito de Leiria, onde são homenageados os primeiros eleitos nas listas do PSD nas eleições de 1976.

Vários líderes políticos franceses criticaram hoje a nomeação do ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso para presidente não executivo do banco Goldman Sachs, considerando que há "conflito de interesses" e que é uma "indecência".