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Sócrates dá palestra a socialistas

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Ex-primeiro-ministro vai ao congresso dos socialistas da UGT este sábado. Costa não tem agenda e Seguro não respondeu

O líder da UGT convidou os três últimos secretários-gerais do PS para estarem presentes no congresso da tendência socialista daquela central sindical, que se realiza este sábado, em Lisboa. Alegando impossibilidade de agenda, António Costa delegou a sua presença na secretária-geral-adjunta do PS, Ana Catarina Mendes. António José Seguro ainda não respondeu ao convite de Carlos Silva para estar presente na sessão de encerramento. Só José Sócrates aceitou o repto e fará uma palestra sobre o “Desencanto Europeu”, durante a manhã e logo após o período para apresentação de candidaturas a secretário-geral da UGT.

A ideia de reunir os três últimos secretários-gerais do PS partiu de Carlos Silva. Em abril, na altura em que se preparava o programa do congresso da tendência socialista da UGT, o líder daquela central sindical sondou António Costa, António José Seguro e José Sócrates para uma participação no encontro.

Nenhum recusou à partida a proposta mas, a uma semana do congresso apenas Sócrates confirmou a presença. Costa delegou em Ana Catarina Mendes a representação da direção socialista, alegando indisponibilidade de agenda. A atual liderança do PS estará bem representada porque, além da secretária-geral-adjunta (que abrirá os trabalhos do congresso), também Vieira da Silva, membro da comissão política e ministro da Segurança Social, marcará presença no encerramento do encontro. Quanto a António José Seguro, até ao fecho desta edição, o secretário-geral que antecedeu António Costa ainda não tinha confirmado a sua presença.

“Enaltecer” o Governo

O encontro dos socialistas da UGT vai analisar a atual situação política e, segundo Carlos Silva, “enaltecer os esforços deste Governo para repor direitos”. Mas serve, sobretudo, para definir quem será o próximo líder da central, que será aprovado em abril do próximo ano. Por tradição, a presidência da central sindical é assumida por um sindicalista social democrata, cabendo ao PS o lugar executivo da central, ou seja o de secretário-geral.

Carlos Silva foi uma escolha do anterior líder da UGT, João Proença, e nos três anos que leva de mandato esteve longe de ser incontestado. O episódio mais grave surgiu no ano passado quando Torres Couto — o primeiro líder da UGT — veio reclamar a substituição de Carlos Silva, precisamente no próximo congresso. Torres Couto apontava o dedo aos “vários erros” cometidos pelo dirigente sindical, nomeadamente por ter estado ao lado de António José Seguro, durante a disputa da liderança socialista e por ter admitido uma solução de Governo PS/PSD após as últimas legislativas.

Na altura, o secretário-geral lançou o repto de “ver quem são os coelhos que se escondem na toca” e até ameaçou antecipar a reunião magna para separar águas e reforçar o seu peso interno. Mas, como nenhum adversário surgiu no horizonte, desistiu da ideia. E tratou de recolher apoios internos e reforçar posições dentro do PS.

A lista de presenças no congresso do próximo sábado é uma demonstração de força da (re)candidatura de Carlos Silva que, desta forma, retira espaço aos eventuais adversários na corrida.

Exemplo disso é a participação de João Proença numa mesa redonda sobre “A Encruzilhada do Movimento Sindical Europeu”. Na verdade, o regresso do líder histórico a um encontro da UGT representa, evidentemente, que continua ao lado de Carlos Silva. E, a este ‘trunfo’, a candidatura do atual líder da UGT junta o reforço da participação dos dirigentes sindicais dentro do aparelho do PS.

Com António Costa à frente do partido, os sindicalistas ganharam força e passaram a ocupar posições em todos os órgãos do partido. Neste momento, têm cinco membros no Conselho Nacional e sete na atual Comissão Política.

Este artigo foi originalmente publicado na edição impressa do Expresso de 2 de julho de 2016.