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PCP quer ouvir Portas e Durão na AR por causa da guerra no Iraque

Conclusões do Relatório Chilcot no Reino Unido motivam pedido do PCP, formalizado esta tarde na Assembleia da República. Requerimento será votado na próxima semana

O Partido Comunista Português quer ouvir o ex-Primeiro Ministro Durão Barroso e o ex-Ministro de Estado e da Defesa Paulo Portas na Comissão de Negócios Estrangeiros, para que "deem as explicações necessárias e sejam confrontados com as suas responsabilidades" no envolvimento de Portugal na guerra do Iraque.

O pedido de audição de Durão Barroso e Paulo Portas foi esta tarde formalizado pelo grupo parlamentar do PCP e surge na sequência da recente divulgação do Relatório Chilcot no Reino Unido, que investigou o processo de participação britânica na guerra do Iraque e que concluiu que as informações que indiciavam a existência de armas de destruição maciça no Iraque - e que serviram de pretexto ao início da guerra - "eram falsas".

"Em Portugal, Durão Barroso e o seu Governo, com a realização da 'cimeira da guerra' em território nacional e a cedência da Base das Lajes, foram co-responsáveis pela guerra no Iraque e pelos crimes cometidos contra o povo iraquiano. Nestes termos, face às revelações agora conhecidas e à importância do conhecimento dos dados deste Relatório, torna-se imprescindível que a Assembleia da República e, especificamente, a Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas volte a discutir esta situação, ouvindo os ex-governantes portugueses para que deem as explicações necessárias e sejam confrontados com as suas responsabilidades, nomeadamente por terem envolvido Portugal naquela guerra de agressão", refere o requerimento do PCP.

Ao Expresso, o deputado do PCP João Oliveira acrescentou que além da necessidade de apurar responsabilidades sobre estes acontecimentos, a audição de Durão Barroso e Paulo Portas poderá também contribuir "para evitar que este tipo de situações se repitam no futuro".

"Não se podem lançar guerras com base em mentiras. E vemos hoje também as consequências que daí resultaram ao nível do terrorismo", resumiu João Oliveira, convicto de que a iniciativa do PCP será votada favoravelmente, com o apoio do PS e do BE. "Não esperamos que o PSD ou o CDS votem a favor, mas tendo em conta o histórico da discussão deste tema na Assembleia da República contamos que o requerimento seja aprovado", diz.