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Catarina Martins: “A direita está a torcer pela Alemanha desde o início”

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Marcos Borga

A líder do BE diz que o facto de Bruxelas ter escolhido esta quinta-feira –dia de debate do estado da nação no Parlamento – para anunciar que Portugal não tomou medidas eficazes para reduzir o défice, “revela a humilhação que quer inflingir ao nosso país”

Helena Bento

Jornalista

Catarina Martins não tem dúvidas: as sanções de Bruxelas “são um ataque a Portugal”, sobretudo quando a Comissão Europeia escolhe um dia como este – em que se discute o estado da nação no Parlamento – para anunciar que chegou à conclusão de que Portugal e Espanha não tomaram medidas eficazes para corrigir os respetivos défices. O que revela isto? A líder do Bloco de Esquerda tem uma resposta: “Revela a humilhação que querem inflingir ao nosso país. Meço bem as palavras – é um ataque ao país”.

Na sua opinião, “toda a lógica das sanções é absurda”, porque estas resultam precisamente de imposições vindas de Bruxelas e Berlim, que o anterior Governo, “que fez muito mal ao país”, aceitou de “forma obediente, destruindo a dignidade” de Portugal.

“Como é que Bruxelas pode vir agora sancionar o desastre que ela própria criou?”, questionou a líder do BE. E acrescentou: “Se um país como a Alemanha não cumpre as regras porque está a ficar com uma parte maior do que lhe é devida nas relações comerciais entre os países e tem excedentes comerciais maiores do que os permitidos pelas regras europeias, não acontece nada. Nem há mecanismo de sanções previsto. É um absurdo”.

Disparando depois para os dois lados, Catarina Martins acusou a direita de “estar a torcer pela Alemanha desde o início” (o que gerou fortes reações por parte das bancadas da direita, obrigando à intervenção do vice-presidente da Assembleia da República que está a conduzir os trabalhos, o socialista Jorge Lacão) e deixou duas perguntas ao primeiro-ministro: “Comprometeu-se o Governo com algum tipo de medida de austeridade junto das instituições europeias?” e “O que fará para travar o processo de sanções e defender o país?”