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Montenegro: “Nem a vida das pessoas está melhor nem a vida do país está melhor”

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Alberto Frias

O líder parlamentar do PSD diz que “o Governo veio dar razão ao PSD” ao admitir a revisão do cenário macroeconómico

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Na semana que vem há o debate do estado da nação. Não acha que o retrato negro que fazem pode não coincidir com a perceção das pessoas?
Não me posso arrogar ter a capacidade de aferir as perceções que em cada momentos os portugueses têm. Mas acho que quem se revê mais no nosso retrato até é o Governo, pois o ministro das Finanças veio dizer que as metas do orçamento não vão ser cumpridas, o que nós dizemos deste que o Governo tomou posse.

O ministro falou em rever o cenário macroeconómico, mas a execução orçamental está a correr bem.
Se o cenário macroeconómico não são as metas, não sei o que seja. Estamos a falar do crescimento da economia, dos níveis de emprego, de investimento... Seria um case study que o país crescendo menos, tendo mais desemprego e menos investimento, conseguisse manter, sem medidas corretivas, os níveis de dívida e de défice. Quando chamámos a atenção que era necessária mais prudência, que as metas eram otimistas, que a recuperação dos rendimentos devia ser mais gradual, disseram que éramos defensores da austeridade. Hoje o Governo vem dar-nos razão.

As pessoas têm mais dinheiro, a procura interna aumentou, acha que os portugueses veem esse cenário negro?
Foi prometido que este choque de rendimento iria dar um crescimento galopante do consumo interno e da procura, isso não está a acontecer. A procura aumentou como já estava a acontecer antes, só que antes era na base da confiança que existia na economia. Hoje isso não acontece. Porque é que o investimento está a cair de forma tão abrupta? Porque é que as pessoas estão receosas em investir? Há um problema de confiança que nós tínhamos ultrapassado e que este Governo está a recolocar.

Tendo em conta a reposição de rendimentos e o aumento da procura, poderemos dizer, adaptando uma frase sua, que a vida das pessoas está melhor mas a do país ainda não?
[Risos] Tenho muitas dúvidas que a vida das pessoas esteja melhor. Quando por um lado se dá mais rendimento (que nós já estávamos a dar), mas se aumentam os impostos, nomeadamente os indiretos, não sei se as pessoas ficam a ganhar. Adaptando a frase, diria que nem a vida das pessoas está melhor nem a vida do país está melhor com o Governo do PS.