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Coelho “fecha” Parlamento da Madeira

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Deputado do PSD classifica uso da bandeira do Daesh por parte de José Manuel Coelho como “atitude ignóbil e pérfida”

Marta Caires

Jornalista

José Manuel Coelho voltou esta manhã a suspender os trabalhos no Parlamento madeirense e, sem microfone, usou um megafone para explicar os motivos que o levaram a desfraldar a bandeira do Daesh no dia da Região e perante o Presidente da República.

Antes da ação que suspendeu a sessão plenária desta quarta-feira, Coelho tinha ouvido um deputado social-democrata classificar o uso da bandeira do grupo terrorista como uma "atitude ignóbil e pérfida".

Carlos Rodrigues, do PSD-Madeira, lembrou que "não há dignidade no uso da desgraça" e, depois de invocar as vítimas do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) em todo o mundo, disse ter vergonha dos que votaram no PTP e elegeram José Manuel Coelho para a Assembleia Legislativa.

Este último reagiu e, depois de ter ficado sem microfone, usou um megafone para se explicar. Coelho disse-se perseguido pelos fundamentalistas da Justiça, os que lhe penhoraram o salário.

A decisão foi deixar o deputado do PTP a falar sozinho. Os deputados regressaram ao plenário só para fazer as votações e o presidente da Assembleia convocou uma conferência de líderes.

As alterações recorrentes ao normal funcionamento da Assembleia Regional provocadas por José Manuel Coelho sucedem-se há anos, sem que exista uma solução aparente. O Parlamento madeirense pediu um parecer à Procuradoria-Geral da República e a resposta foi clara: a Mesa da Assembleia não tem qualquer poder disciplinar sobre os deputados.

Nos últimos anos, José Manuel Coelho levou um relógio de cozinha ao pescoço, vestiu-se de militar, ficou em cuecas e, na semana passada, na última sessão solene do Dia da Região, exibiu uma bandeira do Daesh. Estas ações, iniciadas em 2008, deram popularidade a José Manuel Coelho. Em 2011, conseguiu recolher quase 200 mil votos na sua candidatura a Belém, nas regionais desse ano o seu partido elegeu três deputados e nas últimas regionais, em 2015, foi eleito numa coligação liderada pelo PS.