Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marcelo convidado para apadrinhar a “route 66” portuguesa

  • 333

O Presidente da República descasca uma maçã na cozinha de uma habitação social que foi uma antiga escola do tempo do Estado Novo, no âmbito da iniciativa "Portugal Próximo" em Santa Marta de Penaguião

JOSÉ COELHO / LUSA

Santa Marta de Penaguião, nas encostas do Douro, “é terra que não se lamenta”, como sublinha o autarca local Luís Machado, que quer transformar a EN 2, entre Chaves e Faro, num projeto turístico para unir Portugal de lés a lés, à semelhança da “route 66” norte-americana

O Presidente da República foi esta manhã convidado, no Douro, a apadrinhar o projeto turístico que quer ligar Portugal de lés a lés comparado à "route 66" americana.

Marcelo Rebelo de Sousa percorreu poucos dos mais de 700 quilómetros da Estrada Nacional 2 (EN 2), entre Chaves, no norte, e Faro, no sul de Portugal, e foi no concelho impulsionador do novo projeto, em Santa Marta de Penaguião, que recebeu o convite e iniciou esta manhã o segundo "Portugal Próximo", por Trás-os-Montes e a Guarda, durante dois dias e meio.

Sob um sol tórrido, logo pela manhã, o Presidente foi recebido na antiga escola primária de Concieiro, agora lar de três famílias, que visitou e onde falou para os jovens e população que o aguardavam e recebeu o convite para apadrinhar a nova rota turística.

Santa Marta de Penaguião, nas encostas do Douro, "é terra que não se lamenta”, como sublinhou o autarca local Luís Machado, impulsionador de vários projetos, entre eles o de transformar a EN 2 num projeto turístico para unir Portugal de lés a lés.

O processo encontra-se em fase de formação da associação dos 32 municípios por onde passa a estrada e propõe-se criar um rota turística indicando os lugares e atrativos a visitar e desfrutar ao longo do trajeto. Esta "é a oportunidade de unir o país", defendeu o autarca.

Já o Presidente da República aplaudiu a iniciativa e vincou que é preciso haver mais turismo, que o turismo não estraga a terra, valoriza terra, seja o turismo gastronómico, religioso, cultural, ou do vinho.

As vias de comunicação, como a EN 2, são consideradas fundamentais para o Presidente, que recordou que ainda recentemente apoiou jovens das Aldeias SOS, as quais vão dar a volta ao país e que começaram por aqui.

As primeiras palavras de Marcelo Rebelo de Sousa na segunda edição do programa presidencial "Portugal Próximo" foram para a juventude, sobretudo crianças do concelho duriense que o esperavam logo pela manhã, nesta aldeia com cerca de 100 habitantes.

O PR explicou que começou por aqui esta volta do "Portugal Próximo" a pensar neles, que são o futuro desta terra, mas também nos menos jovens. "É preciso criar condições sociais para prender as pessoas à terra", sublinhou o chefe de Estado, e considerou que "a antiga escola primária transformada em habitação social é um pequeno esforço".

O Presidente da República ouviu "com muita alegria" os contributos da autarquia local, nomeadamente ao nível dos apoios sociais e das bolsas para estudantes. "Não pode haver, hoje em Portugal, filhos de ricos que podem fazer os seus estudos até onde quiserem e filhos de pobres que não podem", insistiu.

Vitor Rodrigues, de 46 anos, estudou na sala da antiga escola primária de Santa Marta, que passou a ser a habitação da família de quatro pessoas há pouco mais de um mês. Vitor e a família regressaram à aldeia muito devido a esta ajuda da Câmara e foi "com muito orgulho" que recebeu em casa o Presidente da República.

"Isto não é para todos", brincou a Sara Mesquita, de 34 anos, mulher de Vítor, contente com a nova casa que "é sossegada". "Parece que estamos sempre de férias aqui. Estamos na casa de férias", comparou.

De outra forma, dificilmente regressariam à aldeia, não fosse esta oportunidade de a antiga escola primária ser transformada em habitação social, acolhendo três famílias.

O Presidente Marcelo despediu-se com uma garantia: "Santa Marta já estava no meu coração, mas é diferente agora como Presidente estar convosco".

O chefe de Estado quis mostrar indo a um concelho de difícil acesso, embora o autarca local tenha insistido em não lhe chamar interior porque "o Porto está ali mesmo ao lado", que não é PR só de Lisboa mas sim de todos os portugueses, sobretudo dos que vivem nos concelhos mais pequenos".