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Marcelo despede-se da Madeira, mas promete voltar “muitas mais vezes”

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GREGÓRIO CUNHA/LUSA

A ameaça de eventuais sanções a Portugal não beliscou o otimismo do Presidente da República, nem ofuscou os dois dias de visita à Madeira onde distribuiu muitos abraços e tirou muitas fotografias. E onde quer voltar mais vezes

Marta Caires

Jornalista

A política perto das pessoas, a política no coração, os beijos e os abraços. Marcelo terminou a visita à Madeira em “alegria e júbilo” depois de cantar Rui Veloso e de prometer regressar ao Porto Santo em 2018 para as celebrações dos 600 anos do achamento do arquipélago. E, enquanto inaugurava um museu ou um hotel, foi comentando a injustiça de eventuais sanções da União Europeia a Portugal ou os motivos que o levaram a dispensar o carro de 130 mil euros que Cavaco deixou de presente quando saiu de Belém.

As ameaças e os avisos que chegaram da Europa e do FMI não beliscaram o otimismo do Presidente da República que, em dois dias de viagem à Madeira e ao Porto Santo, foi fiel ao estilo de beijar, tirar fotografias e ouvir todos o que quiseram falar-lhe. Ao ponto de confessar, já no fim da visita e a propósito das eventuais sanções, que a defesa dos valores europeus quase o fazem “parecer um ET”. E talvez tenha sido por isso que, quando falou no Parlamento europeu, o aplaudiram de pé. Na Madeira, voltou a dar provas desse otimismo e por várias vezes. Quando considerou injustas a possibilidade de sanções ou quando afirmou “ter uma fé ilimitada nos portugueses”.

Sempre perto das pessoas, celebrou a vitória da seleção na rua e cantou Rui Veloso no concerto que fechou as celebrações do Dia da Região no Funchal numa praça com nome ao gosto presidencial: a Praça do Povo. O cantor escolheu um reportório clássico, o público deu a réplica e repetiu, com Marcelo na primeira fila, que “não há estrelas no céu” e lamentou o “mundo inteiro que se uniu para me tramar”. A música fechou o espetáculo e a agenda de Marcelo Rebelo de Sousa no Funchal e a visita seguiu para o Porto Santo, onde terminou a passagem pela Região Autónoma. O programa incluía a inauguração de um museu e de um hotel, mas as atenções do Presidente foram todas para os contactos com a população.

Mais abraços, beijos e fotografias antes de falar no Largo das Palmeiras ao lado do presidente da Câmara do Porto Santo e de recusar integrar a comissão de honra das comemorações dos 600 anos do achamento das ilhas. Marcelo não quer cargos de velhos, nem prateleiras respeitosas já que é um homem de ação. Ficou prometido que irá lembrar o assunto ao primeiro-ministro e ao presidente da Assembleia da República. E, claro, também ficou prometido regressar em 2018 para as celebrações. Será umas das muitas vezes que pensa voltar como deixou garantido na última declaração antes de deixar o Porto Santo: ia com “alegria e júbilo” e “para aqui voltar mais vezes, muitas mais vezes”.

Por entre a “alegria e júbilo” - depois de ter inaugurado o museu do realizador Jorge Brum do Canto e antes de inaugurar um novo hotel do Pestana no Porto Santo – Marcelo foi comentando a actualidade como o facto de terem sido apanhadas conversas nas escutas telefónicas da investigação ao responsável do Museu da Presidência. Facto que o Presidente da República considerou natural já que, dadas as funções do investigado, teve várias conversas telefónicas com a pessoa em causa por assuntos directamente relacionados com as funções de ambos.

Também explicou os motivos que o levaram a colocar ao serviço das visitas oficiais de chefes de Estado estrangeiros o carro de 130 mil euros que Cavaco deixou quando saiu de Belém. O carro, ter deixado o carro ao sucessor, é, segundo disse, uma tradição da Presidência da República, mas, no caso, por questões de funcionalidade, Marcelo Rebelo de Sousa prefere um outro modelo e de uma outra gama. Aquele que Cavaco Silva deixou terá então outra serventia: as visitas oficiais de chefes de Estado estrangeiros.