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Marcelo condecora Salgueiro Maia

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O PR antecipou a entrega da condecoração da Grã-Cruz da Ordem do Infante à viúva do capitão de Abril, Fernando Salgueiro Maia. Na foto, o PR com Natércia Maia e Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril

Luis Barra

Se fosse vivo, o capitão de Abril Fernando Salgueiro Maia, faria 72 anos esta sexta-feira. Por causa de uma deslocação oficial, o Presidente da República antecipou a condecoração a título póstumo e a Grã-Cruz da Ordem do Infante foi entregue ontem à viúva do rosto mais conhecido da Revolução dos Cravos

A 25 de Abril deste ano, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa foi a Santarém – cidade de onde partiu a coluna da Escola Prática de Cavalaria na última madrugada da ditadura – homenagear o capitão Salgueiro Maia. Nesse dia, anunciou a intenção de condecorar o ‘capitão’ a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem do Infante a 1 de julho, dia em que se celebraria o seu 72º aniversário natalício. A cerimónia foi antecipada por motivo de deslocação oficial do PR, e a condecoração foi entregue na véspera da data prevista.

Marcelo diz que este é um gesto de “reconhecimento da pátria portuguesa”, porque nunca é tarde para uma “reparação histórica”. A condecoração foi entregue a Natércia Salgueiro Maia, viúva do capitão de Abril, que se sentiu “reconfortada” com o gesto do PR.

Natércia recordou que o marido viveu momentos de “mágoa e tristeza pela forma como era tratado. Algumas vezes ouvi-o desabafar: Tratam-me como se eu fosse um traidor à Pátria, então, que me julguem. Infelizmente, o meu marido já não está entre nós. Por ele, sinto-me reconfortada pela decisão do senhor Presidente em lhe atribuir esta condecoração”. Agradeceu o gesto do PR considerando-o extensivo a todos os “implicados no 25 de Abril”, expressão que o marido gostava de utilizar.

“Símbolo daquilo que é o português”

Para o PR, Salgueiro Maia “era um símbolo daquilo que é o português, cá dentro e lá fora, na sua humildade, na sua simplicidade, na sua abnegação, na sua dedicação à pátria. A excelência de Salgueiro Maia justifica esta homenagem singular. Por isso, vou ter a honra de entregar à sua família, pensando naqueles que são mais futuro do que nós somos, aquilo que é um reconhecimento da pátria portuguesa”.

Esta é a terceira vez que um Presidente da República condecora Salgueiro Maia: a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade foi-lhe entregue em vida, a 24 de Setembro de 1983, pelo então Presidente Ramalho Eanes.

Fernando Salgueiro Maia morreu de cancro a 4 de abril de 1992, há 24 anos, no posto de tenente-coronel. Partiu amargurado, com a mágoa de não lhe ter sido feita justiça pela hierarquia militar, quando chegou a hora de os militares regressarem aos quartéis. Três anos antes, em 1989, quando já estava doente, o então primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva, recusou-se a conceder-lhe uma pensão “por serviços excepcionais e relevantes”. A atitude do então chefe do Governo provocou um imenso coro de protestos nos mais variados setores da sociedade portuguesa. Recorde-se ainda que Cavaco enquanto primeiro-ministro decidiu atribuir idêntica pensão a dois inspetores da extinta PIDE/DGS.

Três meses depois do cancro o ter vencido, a 28 de junho de 1992, foi condecorado a título póstumo, o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito pelo PR Mário Soares.