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Carlos César: Proposta do BE sobre referendo foi “um impulso”

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António Cotrim / Lusa

O presidente do PS considera que não existem dúvidas na sociedade portuguesa que justifiquem a realização de um referendo sobre a permanência do país na União Europeia

O referendo em Portugal sobre a Europa proposto pelo Bloco de Esquerda foi "um impulso", afirma Carlos César, presidente do PS, em entrevista publicada hoje no jornal "i".

"É uma proposta que não teve vencimento na sociedade portuguesa. Não são conhecidas nenhumas reações positivas de nenhum dos partidos políticos a essa proposta", disse Carlos César, sublinhando que se tratou de "um impulso".

"Creio que ela acabou por ser uma proposta de impulso, com a espontaneidade própria de uma sessão de encerramento de um congresso de um partido", acrescenta o presidente do Partido Socialista.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse no passado dia 26 de junho que, se a Comissão Europeia avançar com sanções contra Portugal por défice excessivo, o partido colocará na agenda um referendo em Portugal sobre a Europa.

"Se tomar uma iniciativa gravíssima de provocar Portugal, a Comissão declara guerra a Portugal. Pior ainda, se aplicar sanção e usar para pressionar o Orçamento [do Estado] para 2017 com mais impostos, declara guerra a Portugal. E Portugal só pode responder recusando as sanções e anunciando que haverá um referendo nacional", advertiu a bloquista, na sessão de encerramento da X Convenção do partido.

Para Carlos César, "não quer dizer que seja desprezível" a ideia de submeter ao voto das pessoas as "suas opções fundamentais", mas, acrescenta, Portugal é um país com um nível de integração europeia "muito intenso" e consensual.

"Não creio que existam na sociedade portuguesa dúvidas que justificassem a existência de um referendo, a menos que ganhassem os partidos que defendem a saída da União Europeia, matéria sobre a qual já nem parece muito claro saber quais os partidos que defendem isso", afirma.

Quando questionado pelo jornal "i" sobre a posição do PCP, que não acompanha a iniciativa do referendo, Carlos César interrompe a pergunta e diz: "sim. O que cresceu de forma muito significativa na sociedade portuguesa como em outras – ao contrário do que aconteceu no Reino Unido – foi a necessidade de as instituições e os cidadãos e as suas organizações se mobilizarem a favor do debate europeu".

Na mesma entrevista Carlos César diz que as sanções "seriam uma medida injusta" em relação a um país que acabou por executar diretizes europeias e e medidas com o apoio da União Europeia com resultados que "não seriam muito positivas" e critica também as declarações do ministro das Finanças da Alemanha sobre a necessidade de um segundo resgate a Portugal.

"Como se percebe, nem o próprio ministro das Finanças alemão percebeu o que disse e do que falava. É por essas e por outras que, infelizmente, há cada vez mais cidadãos europeus que se revoltam contra essa arrogância persistente e insensata. Schauble é apenas um ministro de um Estado-membro e como tal se devia comportar", afirma Carlos César.