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Sampaio “atirava a mesa ao ar” no caso de haver sanções de Bruxelas

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Gonçalo Rosa da Silva

Antigo Presidente da República considera “incompreensível” que Portugal seja sancionado por Bruxelas, devido ao défice excessivo. Sobre o Brexit, Sampaio defende que é preciso concretizar a aliança com a Grã-Bretanha no século XXI de “forma efetiva”. “É preciso torná-la mais atual e não apenas uma figura de estilo”

Jorge Sampaio considera “inconcebível” que Portugal possa a vir ser alvo de sanções em julho, devido ao défice excessivo. “Eu se não fosse uma pessoa de boas maneiras, se isso viesse a acontecer, apetecia-me atirar esta mesa para o ar. Eu acho isso qualquer coisa de verdadeiramente extraordinário no contexto atual, como se nada estivesse à acontecer à volta daqueles edifícios, nos territórios todos da UE”, declarou esta quarta-feira o antigo Presidente da República, que falava na “Grande Entrevista”, da RTP.

Sampaio disse que é preciso olhar para a situação de grande esforço que foi feito pelos governos portugueses e por todos os cidadãos nos últimos anos.“É como se nada estivesse em cima da mesa e não houvesse um esforço permanente. Voltar ao formalismo dessa matéria comos e não houvesse causas justificativas e até de exclusão em direito. Eu acharia isso extraordinário”, insistiu.

E sustentou que será essencial que todas as manifestações de descontentamente por parte de Portugal cheguem a Bruxelas. “É uma coisa que eu acho que merece, ou merecerá – eu espero que isso não aconteça – um protesto veemente dos partidos portugueses, do Governo português, do Presidente da República, dos cidadãos como eu, pois é inconcebível no contexto atual se é essa a preocupação da Comissão Europeia.”

A prioridade de Bruxelas, defende Sampaio, devia ser olhar para a União Económica e Monetária de uma forma diferente, perceber o que é necessário fazer na perspetiva social, ou tornar mais transparente o processo decisório. “Isso, sim, eu acho que valia a pena. Agora resumirmos tudo isso a uma sanção a Portugal e a Espanha?”, questionou.

Brexit obriga Portugal a reforçar relações com Grã-Bretanha e Alemanha

Relativamente ao Brexit, Jorge Sampaio não tem dúvidas: a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) vai exigir que Portugal reforce as relações com a Grã-Bretanha e a Alemanha, que vai ganhar uma nova importância no seio do bloco europeu.

“Eu acho que do ponto de vista internacional abrem-se duas novas necessidades: por um lado, o reforço da ligação particular da Alemanha – eu sou insuspeito, que muitas vezes sou crítico das posições alemãs em matéria de União Económica e Monetária com certeza, como muito boa gente –, a verdade é que a Alemanha vai ganhar uma nova importância”, frisa

Para Sampaio, é essencial Portugal reforçar a ligação com a Alemanha, o que deverá ser conseguido em conjunto com a Espanha, que será o país para o qual, na sua opinião, a Alemanha se deverá virar primeiro. “Nós temos, sem dúvida, uma posição que possa ser unida de Portugal e de Espanha relativamente a essa matéria. Nem sempre os espanhóis estão disponíveis, mas aqui acho que têm que estar. Nós temos que forçar isso e ao mesmo tempo ter uma relação direta com a Alemanha o mais aprofundada possível, como também teremos que ter”, sustenta.

O antigo chefe de Estado defende ainda que cabe ao país concretizar a aliança com a Grã-Bretanha no século XXI de “forma efetiva“, alertando também para a necessidade de defender os intereses portugueses neste novo contexto. “Temos de ter um dossiê próprio com o Reino Unido, que é no fundo proteger, amparar, fazer compreender aos britânicos que esse dossiê tem que ter um tratamento especial no contexto dessa aliança, torná-la mais atual e não apenas uma figura de estilo.”

“Não devemos dramatizar, já chega de dramas e preocupações. Mas esse dossiê existe e temos que o começar a tratar por antecipação o mais depressa possível”, concluiu.