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PCP exige “brio patriótico” na resposta a Schäuble

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JOSÉ COELHO / Lusa

Jerónimo de Sousa exige uma resposta “patriótica” de António Costa às ameaças do ministro das Finanças alemão sobre um segundo resgate a Portugal

O secretário-geral do PCP exige ao Governo "um pouco de brio patriótico" para dizer ao ministro das Finanças alemão, que falou num eventual segundo resgate a Portugal, que "no seu país manda ele mas aqui mandam os portugueses".

Jerónimo de Sousa, que discursava num comício "Mais Direitos, Mais Futuro, Não à Precariedade", que decorreu em Matosinhos na nite desta quarta-feira, falou em "sistemáticas ameaças de sanções por parte da União Europeia (UE)" para referir que Portugal tem sido alvo de "chantagem económica e extorsão".

"Hoje aconteceu mais um episódio de chantagem, de arrogância, de ingerência. O senhor Schäuble, ministro do Governo alemão, que acha que pode ameaçar ou fazer avisos e dar bons conselhos a um país que é soberano. Não é preciso responder à letra mas um pouco de brio patriótico é exigível às instituições, designadamente ao Governo da República para dizer lá no seu país manda ele e em Portugal mandam os portugueses", disse o líder dos comunistas.

Jerónimo de Sousa comentava as declarações de Schäuble, que de acordo com a agência Bloomberg afirmou esta quarta-feira, numa conferência em Berlim, que Portugal está a pedir "um novo programa" e que "vai consegui-lo".

Depois, o governante alemão corrigiu aos jornalistas as suas declarações: "Os portugueses não o querem e não vão precisar [de um segundo resgate] se cumprirem as regras europeias", precisou.

Para o secretário de Estado do PCP, "impõe-se que o Governo português defenda a soberania e os interesses nacionais e rejeite de forma firme e decidida a possibilidade de aplicação de sanções": "Tal como deve rejeitar, em nome de Portugal, toda a teia de imposições e mecanismos de policiamento de que as 'sanções' são uma expressão e consequência".

Jerónimo de Sousa vincou que a Assembleia da República se pronunciou contra a possibilidade de aplicação de "sanções" a Portugal, considerando assim que o Governo está "mandatado" e "tem todas as condições e obrigação de rejeitar firmemente" aquilo que considerou serem "ataques contra o povo e o país".

"Propor, neste quadro, como fez o BE, um referendo para tomar posição contra as sanções significa admitir a possibilidade de capitulação perante a UE, admitindo que por via de referendo podem ser legitimadas as sanções ou outras imposições europeias", criticou o dirigente comunista.

A experiência da Grécia foi, aliás, dada como exemplo: "O referendo não deve ser instrumentalizado em função de objetivos populistas e de protagonismo mediático nem a sua realização pode substituir ou dispensar a ação firme e coerente do Governo em defesa da soberania e dos interesses nacionais", sublinhou Jerónimo de Sousa que de seguida comentou o referendo do Reino Unido que ditou a decisão de saída deste país da UE.

"A vitória da saída da UE no referendo realizado no Reino Unido, num quadro de gigantescas e inaceitáveis pressões por parte dos grandes grupos económicos transnacionais, do capital financeiro e de organizações como FMI, OCDE e a própria UE, constitui um acontecimento de enorme importância política", apontou.

A decisão dos ingleses é vista pelo líder do PCP como "uma vitória sobre o medo, as inevitabilidades, a submissão e o catastrofismo", mas Jerónimo de Sousa também quis salientar que "algumas [motivações] manifestamente de caráter reacionário e xenófobo" são "repudiadas" pelo PCP.

Num discurso que começou muito focado na crítica ao trabalho precário, ao qual chamou mesmo "praga da precariedade", Jerónimo de Sousa arrancou muitos aplausos quando referiu que "algumas forças que até se afirmam de Esquerda e radical tentaram criar a ideia da organização dos precários, do estatuto dos precários ".

"Nós estamos em desacordo do ponto de vista de classe porque precários são os vínculos e trabalhadores são todos sem discriminação em relação aos seus direitos", disse.

E, depois de prometer que o PCP vai "continuar a lutar" para alargar a lei das 35 horas semanais a todos os trabalhadores, recordou que "no mês passado já se cumpriu o primeiro feriado reconquistado", considerando que foi posto "fim" a uma "decisão que agrava a exploração dos trabalhadores, obrigando-os a trabalhar mais dias de forma gratuita e em prejuízo do seu direito ao repouso e ao lazer".

O secretário-geral comunista falou ainda de outras propostas e programas que quer ver implementadas, e garantiu que "uma das componentes que fazem parte da solução política PS/PCP, mas igualmente pela subida imediata do salário mínimo nacional para os 600 euros".