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Marcelo celebra 40 anos de autonomia da Madeira

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Pouco depois de ser eleito, Marcelo visitou o Museu CR7 de Cristiano Ronaldo, no Funchal

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Presidente da República visita Madeira e Porto Santo esta quinta-feira. A agenda inclui um discurso na Assembleia Regional, a inauguração de um hotel e um concerto de Rui Veloso

Marta Caires

Jornalista

Marcelo Rebelo de Sousa aterra esta quinta-feira à tarde na Madeira para uma visita oficial de dois dias. A agenda inclui uma passagem pelo Porto Santo e a inauguração de um hotel, mas o ponto alto da deslocação é a sessão solene dos 40 anos da autonomia regional na Assembleia Legislativa. O Presidente da República, garante o gabinete de Miguel Albuquerque, conhece bem os problemas e sabe que o grande desafio da autonomia madeirense é de ordem financeira.

A visita tem um carácter institucional e foi preparada em vários encontros desde que Marcelo Rebelo de Sousa chegou a Belém. Além de Miguel Albuquerque, o Presidente da República recebeu delegações de partidos da oposição e até quis ouvir as razões que levaram o PCP a apresentar uma moção de censura ao Governo Regional. A proposta dos comunistas foi chumbada a meados de Junho, mas a Presidência da República não a deixou passar em claro.

A chamada da delegação do PCP a Belém comprova aquilo que diz o gabinete da presidência do Governo Regional da Madeira: “o Presidente da República está por dentro do que se passa na Madeira, de quais são os problemas que se colocam à autonomia regional”. Ou seja, está a par das dificuldades em financiar os serviços públicos regionalizados, sobretudo a saúde. Foram os problemas na saúde que levaram os comunistas a apresentar a moção de censura a Miguel Albuquerque. E é para a saúde – para a construção do novo hospital central do Funchal – que o Governo Regional precisa de 340 milhões de euros.

O financiamento é o problema maior da autonomia na Madeira já que, além dos compromissos para pagar a dívida de seis mil milhões de euros, o Governo Regional tem de assegurar dinheiro para manter o sistema regional de educação, o serviços regional de saúde e os salários de toda a administração pública. E é com este quadro em fundo que o Presidente da República irá discursar na Assembleia Legislativa na próxima sexta-feira, dia da Região.

Tal como Jorge Sampaio, em 2001 e por altura dos 25 anos da consagração do regime na constituição de 1976, Marcelo Rebelo de Sousa assinala uma data marcante para a autonomia regional, mas numa conjuntura diferente. Sampaio encontrou uma Madeira com Alberto João Jardim na liderança, com 80% da dívida pública regional saldada e sem aparentes dificuldades de dinheiro. À época todos os discursos passavam pela reivindicação de mais poderes legislativos e mais autonomia.

Se as questões da autonomia no ano em que faz 40 anos – as primeiras eleições regionais realizaram-se a 27 de Junho de 1976 – deverão marcar o primeiro dia da visita oficial, será a dupla insularidade do Porto Santo a fechar a passagem pela Madeira. A agenda integra uma visita ao projeto ambiental para tornar o Porto Santo uma ilha livre da dependência energética do petróleo. O Presidente da República irá ainda inaugurar o novo hotel do grupo Pestana na ilha.

Da visita consta também um almoço na Quinta Vigia, uma missa e um concerto do Rui Veloso e da Orquestra Clássica da Madeira.