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“Disparate”, “desorientação” e “brincadeira politicamente desonesta”: PCP ataca Bloco

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O líder parlamentar, um deputado, um eurodeputado e dois membros da comissão política do PCP tornaram públicas as suas críticas à proposta bloquista de um referendo sobre a Europa. A guerra subiu de tom. Pelo menos na troca de palavras

"Porque é que de cada vez que o BE propõe um disparate acaba por atacar o PCP?". É assim que João Oliveira começa o seu comentário sobre a proposta bloquista de um referendo à União Europeia. Na sua página de Facebook, o habitualmente discreto e contido líder parlamentar comunista não tem dúvidas em considerar "disparatada" a ideia avançada pelo BE e que inside sobre um problema "sério das sanções da União Europeia a Portugal" e "acabam a atacar o PCP". "Isto é táctica para desviar a atenção dos disparates que fazem ou é sintoma da doença infantil de que não se conseguem libertar?", questiona João Oliveira.

Não é o único. Já António Filipe, deputado da bancada comunista e autor do livro "O Referendo na Experiência Constitucional Portuguesa", se 'atirou', ontem na página do Facebook a um artigo publicado na Esquerda.net, onde o BE acusava o PCP de ter mudado de posição. O jornal on-line do Bloco de Esquerda lembrava que, o programa eleitoral comunista para as Europeias de 2014 defendia o referendo sobre tratados europeus, quando agora António Filipe assumia que a Constituição não admitia referendos revogatórios de decisões já tomadas".
"Neste artigo sobre a posição do PCP, há factos que são verdadeiros e há imputações que o não são", responde António Filipe. "Dizer que o PCP se opõe a referendos sobre os tratados europeus porque não apoiou o soundbite referendário saído da Convenção do Bloco é, com a devida vénia a Mário de Carvalho, confundir o Género Humano com o Manuel Germano", ironiza.
O deputado comunista não tem dúvidas de que o PCP tem seguido "um caminho de coerência e de responsabilidade" sobre este tema e lança a seguir a farpa: "esse caminho é pouco compatível com soundbites de ocasião e com o apoio apriorístico a "propostas" que podem ser boas para lançar ao ar mas que nem se percebe com que pés assentam no chão".

Outra das vozes da direção comunista que aproveitaram as redes sociais para criticar - ou contra-atacar- as posições bloquistas foi o eurodeputado João Ferreira. "Se o oportunismo é coisa feia, a manipulação não lhe fica atrás. Depois de um hino ao primeiro, eis uma ode à segunda", escreve. A mudança de posição de Catarina Martins que, no arranque da convenção do BE, admitiu não ser "o momento" dos países lançarem a "cartada dos referendo" e no final do Congresso admitiu recorrer á consulta popular caso a UE decretasse sanções a Portugal foi o mote. "O referendo é um instrumento demasiado sério para ser usado para levar a água ao moinho de estreitas e oportunistas agendas mediáticas. Não podem esperar isso do PCP. Isso não. Lamento, mas quedai-vos sozinhos em tal pântano", conclui João Ferreira.

“Avante” também entra na luta

Na edição de hoje do orgão oficial do PCP, a guerra entre comunistas e bloquistas também é um dos assuntos abordados. Aliás, dois dos cinco artigos de opinião são dedicados ao assunto e assinados por dois altos dirigentes, ambos da comissão política do partido. Jorge Cordeiro considera ser "escusado" que "vários dirigentes do BE" se tenham prestado a "fazer coro com argumentos comuns aos dos federalistas de topo". E acusa mesmo a líder bloquista de "desorientação".

Para Jorge Cordeiro será esta a justificação para o facto de "Catarina Martins a afirmar à entrada da Convenção que «não é o momento dos países saltarem com cartadas de referendos», para 24 horas depois anunciar, não se sabe bem, se um ou se dois referendos sobre o que não sabem bem o quê".

Ângelo Alves também aborda a polémica do momento. "Cabe aos povos trilhar, pela luta, os caminhos da ruptura, tomar o convés superior, organizar o salvamento e sair do barco antes do sufoco final. Salvar a Europa, significa, mais do que nunca, derrotar as imposições, políticas e pilares da União Europeia em todas as suas dimensões", escreve. Para rematar com uma tirada com um alvo muito direto contra o BE. "E isso não é compaginável com visões reformistas da União Europeia, e muito menos com brincadeiras mediáticas, de um indisfarçável populismo e politicamente desonestas como a proposta do BE de um referendo indefinido que o PCP já desmontou e bem".