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A visita à Madeira vai no princípio e Marcelo já fala em voltar

HOMEM DE GOUVEIA / LUSA

O Presidente da República, que chegou esta quinta-feira à noite ao Funchal, promete regressar dentro de dois meses para ir às Desertas e às Selvagens. Por causa da soberania portuguesa nas ilhas? O motivo de Marcelo Rebelo de Sousa é bem mais simples: “é a realização de um sonho que tinha enquanto cidadão”

Marta Caires

Jornalista

Ventos contrários atrasaram o voo e foi no intervalo do Portugal-Polónia, com o jogo empatado 1-1, que Marcelo Rebelo de Sousa fez o primeiro discurso da visita oficial à Madeira. Entre palavras de circunstância e a esperança de uma vitória no bola, o Presidente da República disse que se associava “como alegria” aos 40 anos da autonomia regional, “uma das mais felizes realizações da nossa democracia”.

A visita mal tinha começado e Marcelo já prometia voltar mais vezes. A próxima, anunciou, acontecerá dentro de dois meses, mas para ir às Desertas e às Selvagens, quem sabe a outros recantos da Madeira. E, desta vez, não é para afirmar a soberania portuguesa, nem para aplacar uma eventual disputa com Espanha. O Presidente da República foi claro, é só para realizar um sonho que tinha enquanto cidadão.

Feita a saudação, os discursos e a troca de presentes entre o Presidente e o representante da República – o anfitrião do primeiro jantar oficial da visita no Palácio de São Lourenço -, houve ainda tempo para perguntas, pedido de comentários ao jogo e explicações sobre a promulgação do diploma sobre a Caixa Geral de Depósitos. As razões ditas foram as mesmas que estão publicadas no site da Presidência da República.

O diploma foi promulgado por razões práticas – se não fosse o novo conselho de administração não entrava em funções -, mas os avisos estão lá. O Estado deve apreciar os salários já que num passado recente os gestores da Caixa ganhavam mais do que o primeiro-ministro e do que o Presidente da República. Tendo recebido empréstimos do Estado, o banco devia seguir a regra dos bancos privados e cortar os salários dos gestores até 50%. Além disso, os vencimentos elevados implicam sempre responsabilidade nos resultados.

E dito tudo isto, Marcelo Rebelo de Sousa seguiu para o jantar, cumprimentou os convidados entre os quais estava Alberto João Jardim, figura incontornável da autonomia regional na Madeira. A segunda parte do Portugal-Polónia já estava a dar nas televisões e, para lá dos muros do Palácio de São Lourenço, ouvia-se, a espaços, um bruá sempre que a bola chegava à área da Polónia.

Marcelo acabou por se juntar à festa no Largo da Restauração para celebrar a vitória de Portugal.