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Costa corrige Centeno sobre previsões económicas para 2016

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OLIVIER HOSLET / EPA

Primeiro-ministro garante que o Executivo está preparado para enfrentar a conjuntura e eventuais sanções. “Nós não vivemos de previsões, mas de realidades. Mas este Governo está preparado para todas as piores previsões”, garante

António Costa reafirmou esta quarta-feira que a execução orçamental do primeiro trimestre foi melhor do que o previsto e que a trajetória deve continuar positiva – apesar do atual contexto –, assegurando que não existem motivos para preocupações.

“Nós não vivemos de previsões, mas de realidades. Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) têm confirmado que a execução orçamental do primeiro trimestre foi melhor do que o previsto”, declarou o primeiro-ministro em conferência de imprensa, em Bruxelas, após a cimeira europeia que debateu o Brexit.

Costa destacou que os dados do trimestre já incluem algumas alterações introduzidas pelo atual Governo e desvalorizou as declarações de Mário Centeno ao “Público”, que afirmou que as previsões económicas serão revistas devido à atual conjuntura, nomeadamente a saída do Reino Unido da União Europeia e a quebra nas exportações.

Costa garantiu ainda que a queda das exportações não está relacionada com problemas no mercado interno, mas com dois mercados importantes para Portugal: Angola e China. “Nada justifica que haja qualquer risco de preocupação”, realçou.

António Costa admite, contudo, que o cenário macroeconómico poderá ser alvo de uma atualização em outubro, quando for apresentada a proposta do próximo Orçamento do Estado. “Quanto a 2016, os dados estão lançados e felizmente as contas estão certas”, garante Costa, ao contrário do referiu o ministro das Finanças na entrevista ao matutino.

Questionado sobre eventuais sanções de Bruxelas, Costa voltou a repetir que seria “injusto” Portugal ser penalizado por não ter cumprido o défice e que voltou a manifestar essa posição no Conselho Europeu. “Tive oportunidade de sublinhar, quer ao presidente Juncker, quer a vários colegas meus no Conselho Europeu, aquilo que tem sido sublinhado em Portugal de forma unânime, por todos os partidos presentes na Assembleia da República e pelo Presidente da República, que a aplicação de sanções seria incompreensível, injusta e injustificada face à execução orçamental, que foi acompanhada pelo FMI e BCE e que instituições europeias tanto elogiaram. Seria muito injusto, com isso, sancionar os resultados dessa política.”

Ainda assim, admite que o Executivo está preparado para essa possibilidade.“Este Governo está preparado para todas as piores previsões, porque todas as semanas há uma previsão de uma desgraça na semana a seguir, até agora, já passamos seis meses e essas desgraças ou não se confirmaram, ou tendo ocorrido foram devidamente ultrapassadas,(...) Este Governo nasceu para enfrentar e resolver desgraças. É isso que temos estado a fazer e vamos continuar a fazer", rematou.