Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Dirigente do CDS “malha” em Marcelo

  • 333

Rui Duarte Silva

Graça Canto Moniz, uma das responsáveis do gabinete de estudos dos centristas, aproveita o seu artigo semanal no “i” para criticar fortemente o Presidente da República: “Portugal não precisa de líderes rendidos a esta lamentável cultura de afetos”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

É uma rara e dura crítica ao comportamento do Presidente da República, vinda de alguém que pertence à área política (genericamente entendida) de que Marcelo Rebelo de Sousa é oriundo.

Graça Canto Moniz, uma das responsáveis pelo gabinete de estudos do CDS, confessa o seu desconsolo com o presidente do Chefe de Estado e termina o seu texto de opinião no jornal "i" com um comentário que não deixa dúvidas: "Se fosse para isto, tínhamos votado na Teresa Guilherme".

Graça Canto Moniz, uma das pessoas em quem Assunção Cristas delegou a tarefa de pensar as propostas políticas para o CDS, começa por acusar em termos gerais "os nossos políticos", de procurarerem "diariamente o carinho do povo, numa doentia - e cansativa - magistratura da ubiquidade".

Para depois concretizar a quem se refere: "Como se fossem concorrentes de um reality show, na mesma semana, Presidente da República e primeiro-ministro dividiram-se entre jogos e marteladas de S. João".

E circunscrever, ainda mais, o alvo: "O PR deu sinal de que não há espaço que não ocupe e faça seu, ao comparecer na flash interview, local reservado aos intervenientes num jogo de futebol, mostrando que todo o espaço de protagonismo lhe pertence, desde que o deseje".

Alvitra: "Pelo andar da carruagem, não se espantem se virmos o comandante supremo das Forças Armadas no banco da seleção, a instruir o treinador na tática vitoriosa. Com tanta omnipresença e apelo ao carinho, é seguro que ao prof. Marcelo a história vai reservar o cognome de Querido Líder".

A crítica vem a seguir: no entender da dirigente centrista, "Portugal não precisa de políticos rendidos a esta lamentável cultura de afetos, mas de líderes que sejam capazes de, sóbria e esclarecidamente, tomarem as decisões difíceis que a situação do país e do mundo exige".

Graça Moniz escreve ainda que a sua geração dispensa "o clima festivo e a presença permanente dos políticos no espaço público, e o estilo bolivariano que os acompanha (...) Se fosse para isto, tínhamos votado na Teresa Guilherme. Líderes procuram-se: é que amigos para beijar e opinadores de bola, é coisa que não nos falta".