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Deputado do PSD acusa governante de “pequena burla para ganhar mais uns tostões”

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Duarte Marques, do PSD, comentou no Facebook notícia do Expresso sobre o secretário de Estado do Ambiente, que vive em Cascais, mas recebe ajudas de custo como se morasse no Algarve

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

"Considero inaceitável que um membro do Governo indique uma morada onde não vive, onde não está a sua família, onde não tem necessidade de ir todas semanas, que recorra, no fundo, a uma pequena burla para ganhar mais uns tostões" - a crítica é do deputado do PSD Duarte Marques e o alvo é o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins.

O parlamentar social-democrata partilhou na rede social Facebook a notícia do Expresso, segundo a qual Carlos Martins recebe ajudas de custo como se vivesse no Algarve apesar de viver a apenas 30 quilómetros de Lisboa, numa vivenda em Cascais que adquiriu em 2001.

No comentário que acompanha a partilha, Duarte Marques é muito duro em relação ao governante socialista - indo ao ponto de o acusar de "burla" - e faz o contraste com o seu caso pessoal: há 18 anos que é membro da Assembleia Municipal de Mação e, apesar de ter estudado em Lisboa, já ter vivido em Bruxelas e agora passar toda a semana em Lisboa, nunca mudou de morada para receber mais ajudas de custo. "Jamais aceitei que os contribuintes pagassem mais por um eleito municipal estar a trabalhar em Bruxelas ou a estudar em Lisboa", frisa.

Mais: o deputado do PSD critica o facto de Carlos Martins, depois de confrontado pelo Expresso, insistir em manter como sua morada uma residência em Tavira que adquiriu apenas em novembro passado, no mesmo mês em que tomou posse como secretário de Estado, e onde não vive. "Erros todos cometemos, mas insistir e não querer corrigir o erro é ainda mais lamentável."

"A esquerda lava mesmo mais branco"

Para Duarte Marques, trata-se de mais um caso em que "a esquerda lava mesmo mais branco". "O que diz agora o BE disto? Zero [em rigor, o BE já veio criticar a situação, em declarações ao Expresso]. O que diz o PCP? Zero. O que dizem os que se preocupam tanto com os contribuintes? Zero. Isto é política e eticamente vergonhoso. Antonio Costa, mesmo após a própria confissão do seu Secretário de Estado, lava as mãos do caso. Se o Primeiro Ministro não tem nada a comentar, se o Ministro das Finanças manda falar com o Ministro do Ambiente, das duas uma: ou o SEC de Estado devolve o que recebeu a mais e deixa de lucrar com essa burla, ou o Ministro do Ambiente o demite."

Lembrando que no passado também governantes do PSD foram acusados de recorrer ao mesmo expediente, Duarte Marques faz questão de sublinhar as diferenças entre este caso e o de Miguel Macedo. Em 2011 o então ministro da Administração Interna da coligação declarou uma morada em Braga, apesar de ter residência em Lisboa, mas os casos são distintos, na análise do deputado do PSD: "há alguns anos, um ministro do PSD, apesar de entretanto ter comprado uma casa em Lisboa, deu a morada da sua residência de sempre, onde ia todos os fins de semana, onde vive a sua mulher e filhas, onde está todo o seu agregado familiar, mesmo assim devolveu o que teria recebido a mais e deixou de receber."

"Mãos limpas"

Lembrando o exemplo de Miguel Macedo, Duarte Marques escreve que "embora este caso que hoje veio a público seja bem mais grave, só se pedia que o membro do governo agisse da mesma forma. Como não o fez, e insiste em não fazer, só resta a sua demissão ou a do Ministro caso este não o force a sair."

O ex-líder da JSD conclui que "o que afasta as pessoas da política é precisamente este tipo de abusos e conivência daqueles que não têm coragem de denunciar. É preciso limpar a imagem da política e isso apenas se faz com as mãos limpas. Mãos limpas", repete.