Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

O tic-tac do cronómetro do BE

  • 333

José Caria

Discussão da estratégia para os próximos dois anos aumenta pressão sobre o Governo PS. Cá e na Europa

Helena Pereira

Helena Pereira

Texto

Editora de Política

José Caria

José Caria

Fotografia

Fotojornalista

O BE “quer ser a força mais forte do Governo de Portugal”. O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, sublinhou a ambição do partido no início da discussão das três moções que vão a votos na X Convenção, que decorre entre hoje e amanhã em Lisboa.

“À pergunta quer o Bloco de Esquerda ser Governo, a resposta é: quer ser a força mais forte do Governo de Portugal porque sabe que é assim que mais forte defende as pessoas”, disse. A pressão sobre o Governo de António Costa foi evidente em todo o discurso do deputado, que no palco foi defender a moção A de Catarina Martins. Para Pedro Filipe Soares, “valeu a pena o BE ter feito a escolha que fez” porque se tivesse ficado na mera oposição a reposição de rendimentos das pessoas não seria esta.

Pedro Filipe Soares fez exigências ao Governo sobre a Europa mas, sem rodeios, falou também sobre a ideia de um “cronómetro” e “ameaça” que está a contar “para mandar abaixo o Governo” para dizer que o partido estará sempre do lado das pessoas e que essa é a única garantia que pode dar ao PS.

Dirigindo-se diretamente a António Costa, o líder parlamentar do BE pediu que se oponha no Conselho Europeu da próxima semana à aplicação de sanções a Portugal por causa do défice excessivo de 2015: “que diga que não é aceitável que se apliquem sanções a Portugal”.

“Que a maioria social em Portugal diga que se levantará contra Bruxelas sempre que Bruxelas se virar contra Portugal. Em Portugal a democracia é nossa e a soberania é do nosso povo nas suas decisões”, apelou ainda.

Em nome da moção R, crítica da atual liderança e que elegeu 9,3% dos delegados, Catarina Príncipe colocou em cima da mesa várias questões que gostaria que esta Convenção respondesse: se admite coligações pré-eleitorais nas legislativas, em que condições negociará coligações pós-eleitorais ou que estratégia em concreto o partido deve adotar nas autárquicas. Segundo os subscritores da moção R, o documento estratégico de Catarina Martins é “um cheque em branco”.

Também duro com a atual direção, João Carlos Louçã, em nome da moção B, atirou a pergunta: “Até quando apoiaremos um Governo inútil para a reposição de emprego?”.