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Política

Governo pede novas prioridades na União Europeia

josé caria

Costa procura novo caminho na UE. PCP e BE pressionam para rasgar os tratados da União. Não se fala de referendo. Por enquanto

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Agora é preciso encontrar um novo rumo para a Europa. “O caminho não é a desintegração”, avisa o primeiro-ministro, António Costa. “Ordenar as prioridades”, pede o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. “Uma refundação da Europa”, sugere mesmo o ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

O Governo português está preocupado com a relação futura com o Reino Unido, travar populismos, mas também disposto a aproveitar a oportunidade para pedir mais prioridade às políticas de crescimento económico. “As dificuldades são momentos de oportunidades”, é a frase mais ouvida por parte dos governantes, que rejeitam contudo que o futuro venha a ser traçado pelos países fundadores da UE. Para a semana há Conselho Europeu e a reflexão que muitos pedem vai começar.

Por cá, PCP e BE pressionam para rasgar os tratados da UE, mas, apesar de serem eurocéticos, não propõem um referendo. O eurodeputado comunista João Ferreira saudou esta “vitória sobre o medo” que abre “um novo patamar de luta” contra a UE e abre caminho “de cooperação baseado em estados soberanos e iguais em direitos”. O fim dos limites fixados nos tratados europeus é o alvo a abater, também por parte do BE. Pedro Filipe Soares não tem dúvidas de que é agora tempo de “rasgar“ esses documentos porque se deu “início à desagregação” da Europa.

Do lado do PSD, Passos Coelhos foi dos poucos líderes europeus que não apelaram a uma solução rápida para o ‘Brexit’. O líder social-democrata apelou antes a que se evitem “excessos de dramatização” e reiterou a confiança no projeto europeu, assim como na capacidade da UE “dar uma resposta à altura” da situação. Assunção Cristas assumiu “a consternação profunda” face aos resultados do referendo e ao “momento de inquietude” que vive a Europa. No entanto, defende que Portugal deve dar “o exemplo de tranquilidade, de reflexão e também de algum otimismo”.

O Presidente da República, por sua vez, defendeu uma resposta “rápida, coesa e unida” por parte da UE, sublinhando a necessidade de “repensar e reformar o que for necessário para firmar os valores” que são o património europeu.