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Francisco Louçã: O “orgulho na escola republicana”

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José Caria

O primeiro coordenador da história do BE subiu ao palco, de “sorriso aberto”, para salientar a unidade e a boa saúde do partido. Luís Fazenda e Fernando Rosas, os outros fundadores ainda vivos, marcaram o espaço nas relações com o PS e com a UE, respetivamente

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

José Caria

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Fotojornalista

"Um partido mais forte quando esteve mais fraco" e "um partido mais unido quando esteve mais desunido", é assim este sábado o Bloco, segundo Francisco Louçã.

O fundador do BE e seu primeiro líder, agora sem qualquer cargo de dirigente de primeira linha, declarou estar na Convenção de "sorriso aberto", face ao momento atual do Bloco, um partido no qual "os dirigentes aprendem com os militantes".

Louçã declarou o seu "orgulho como militante da escola republicana", para de seguida elencar lutas em que o Bloco esteve e está envolvido: o fecho da central nuclear de Almaraz, a defesa das 35 horas para a Administração Pública ("que há de ser para todos e para todas", disse) ou o papel dos sindicalistas do BE na Autoeuropa, fábrica "solidária com os precários".

Na intervenção ante os outros delegados, aos quais se apresentou durante muito anos como principal figura do Bloco, Louçã destacou três dirigentes. A começar, Catarina Martins, "protagonista da maior alteração da relação de forças em Portugal na esquerda em 40 anos". Depois, Marisa Matias, pela sua campanha nas presidenciais. E Pedro Filipe Soares, o líder parlamentar, pelo sua defesa de uma Caixa Geral de Depósitos como banco público.

Louçã garantiu que com o BE "não haverá privatizações", mas antes um "desmantelamento das rendas". E elegeu o PSD como alvo a abater. Uma vez ultrapassado o CDS, o PSD é o "adversário imediato do Bloco", afirmou.

Fazenda marca as fronteiras com o PS

O primeiro dos três fundadores do Bloco a intervir (o quarto, Miguel Portas, já faleceu) foi Luís Fazenda. Começou por usar as apreciações de Passos Coelho sobre a geometria política que suporta o Governo para vincar bem onde está o meridiano que divide o PS do Bloco.

"Este não é o nosso Governo. O atual Governo socialista não garante um Governo de esquerda", afirmou. Fazenda deixou também claro: "Estamos a apoiar uma maioria parlamentar e um governo minoritário do PS".

E se esse é o quadro atual, para um futuro próximo a orientação também está assente: "Estamos numa maioria parlamentar, estamos com o povo, mas somos uma alternativa", salientou, rematando com uma indireta para os que queixaram há dois anos o Bloco dizendo-se logo dispostos a cair nos braços dos socialistas. "Quem defendeu um acordo com o PS, vaporizou-se", disse.

Rosas define o(s) rumo(s) para a Europa

Fernando Rosas foi o terceiro dos fundadores a subir ao palco. Se Fazenda dissecou as relações com o PS, Rosas olhou para fora, para a União Europeia, e para a frente, ao apontar os caminhos que devem ser seguidos para vencer o momento atual da UE.

Começando por se declarar nada comovido por alguns aspetos da desagregação da UE (com o Brexit, "parece que se desencadeou o princípio do fim", dissera de início): "Não temos de chorar o fim da UE do neoliberalismo e da troika", afirmou.

Mais adiante, considerou que "a UE faliu. Tornou-se um pesadelo imperial contra os fracos e os pobres".

E qual a forma de combater esta realidade? "O Bloco, com as outras esquerdas europeias, é a alternativa socialista a esse destino".