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Bloco afasta cenário de referendo sobre saída da Europa

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Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda

José Caria

“Este não é o momento” de os países jogarem “as cartadas dos referendos” (para a saída da UE), disse Catarina Martins à chegada à Convenção do Bloco de Esquerda, que decorre hoje e amanhã, em Lisboa. Mas o “país tem de preparar todos os cenários”, disse já no palco, na sua intervenção inicial

As nuvens do Brexit pairam sobre a Convenção do Bloco de Esquerda (e o resto do país e da Europa) e um referendo sobre a saída de um país (Portugal, neste caso) é um colete de forças em que as perguntas dos jornalistas colocam os dirigentes, atuais e históricos, do partido.

Mas um após a um, de Pedro Filipe Soares a Catarina Martins, passando por Francisco Louçã, as principais figuras do BE defendem que Portugal não deve entrar nesse jogo, pelo menos para já.

“Este não é o momento” de os países jogarem “as cartadas dos referendos”, respondeu Catarina Martins, à terceira ou quarta pergunta sobre a questão, à porta do pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa.

Salientando que “a UE está numa situação de grande fragilidade, em resultado das políticas europeias”, Catarina Martins acha, contudo, que não se trata do fim do mundo. “Isso não quer dizer que a Europa não tenha futuro”, disse, para acrescentar. “O tempo não volta para trás. Não voltaremos a ser nações isoladas.”

Pouco depois, já no púlpito da X Convenção, na sua primeira intervenção perante os delegados, a porta-voz do BE considerou a discussão sobre a resposta que a esquerda tem para dar à Europa uma das cinco principais “tarefas” desta reunião magna dos bloquistas. “A política que responde pelo seu país tem de preparar todos os cenários”, afirmou.

Para Catarina Martins, Portugal não pode ficar de braços cruzados. “Se esperarmos o que não vem, seremos confrontados com maiores crises financeiras e catástrofes humanitárias”, advertiu. E o sentido do que deve ser a proposta concreta do BE ficou patente: “O figurino institucional da UE alimenta-se do esvaziamento da democracia.”

Pouco antes da chegada de Catarina Martins ao local da Convenção, também Francisco Louçã, um dos fundadores do partido e o seu primeiro coordenador, e o líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, responderam aos jornalistas sobre o momento atual da Europa.

Soares deixou claro que uma coisa é um referendo para a saída do país outra é um referendo sobre o Tratado Orçamental (“não confundir” um com o outro), algo que o Bloco já defende há muito e acha que continua a fazer sentido.

“Referendo à permanência? Não é essa a forma que temos de olhar para a Europa. Esse é o caminho da desistência”, afirmou Pedro Filipe Soares.

Já Louçã lembrou que “Portugal devia ter feito referendos há muito tempo”, dando exemplos: a entrada do país na então CEE, o Tratado de Lisboa, o Tratado Orçamental.

O antigo coordenador esforçou-se sempre, quando questionado pelos jornalistas, por desviar a discussão do tema único do Brexit/referendo sobre a saída.

“As questões europeias são centrais”, reconheceu Francisco Louçã, mas também por outra razão além do Brexit: “As ameaças de sanções, que são uma crueldade”, disse. De seguida, deixou claro: “A UE é um projeto falhado que redundou em autoritarismo e numa finança selvática”.