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Cimeira da NATO: Portugal pedirá mais diálogo a norte e maior atenção ao flanco sul

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Na próxima cimeira da NATO, marcada para 8 e 9 de julho em Varsóvia, “Portugal pugnará para que não se esqueça o sul” e para que não se fechem as portas do “diálogo com Moscovo”, disse esta quinta-feira de manhã na Assembleia da República o ministro da Defesa

Carlos Abreu

Jornalista

TIAGO PETINGA / LUSA

A duas semanas da cimeira da NATO, marcada para de 8 e 9 de julho em Varsóvia, capital da Polónia, o ministro da Defesa apresentou no Parlamento a estratégia dos países do sul, que Portugal subscreveu, para o encontro onde se esperam decisões importantes de chefes de Estado e de Governo sobre a adaptação desta organização ao atual ambiente de segurança. Segundo Azeredo Lopes, a Aliança Atlântica deve ser pensada “de uma perspetiva de 360º”, “tanto a Leste, como a Sul”. De forma equilibrada.

“No tocante à presença avançada no leste e no sudeste da Aliança, a principal expectativa é que a mensagem de firmeza e dissuasão da organização se venha a traduzir num acordo que responda à ameaça sentida por parceiros como Polónia, Estónia, Lituânia e Letónia e, também, no Mar Negro, a Bulgária e a Roménia”, disse esta quinta-feira de manhã no Parlamento o ministro da Defesa.

Neste contexto, acrescentou Azeredo Lopes, discursando numa conferência organizada pela comissão de Defesa Nacional, “Portugal continuará a defender a ponderação e o equilíbrio, sustentando que a linguagem relativa à Rússia se mantenha tanto quanto possível ‘construtiva’, não fechando portas a um diálogo com Moscovo, que continua a ser imprescindível e à calibragem adequada de outras dimensões da nossa resposta a esta crise, como as sanções europeias. Mas, sobretudo, Portugal pugnará para que não se esqueça o sul”.

E já o deixou bem claro numa carta enviada, juntamente com Espanha, Itália e França, ao secretário-geral da NATO. Nesse documento, apresentado pelo ministro esta terça-feira aos deputados da comissão de Defesa durante uma audição, os quatro países do Sul pedem a Jens Stoltenberg que, sem prejuízo da necessidade de olhar para leste, também “deve haver uma disponibilidade permanente para o diálogo e para uma solução negociada de caráter político” com a Rússia.

Na missiva, disse ainda Azeredo Lopes, os cinco países pedem “medidas mais assertivas” a sul “que correspondam a uma redefinição de padrão a que a organização não está habituada, muito menos preparada para enfrentar situações de ameaça atípicas em que pode haver atores estaduais, atores não-estaduais e atores não-estaduais que têm uma posição quase estadual”.

Esta quinta-feira, discursando na conferência, o ministro da Defesa deixou ainda uma mensagem de “cauteloso otimismo face ao que se adivinha possa ser, em Varsóvia, uma oportunidade a não desperdiçar de selar uma declaração conjunta NATO/UE, reforçando, ao mais alto nível político e institucional, a necessidade de fomentar a complementaridade de métodos e meios entre as duas organizações”.

“É crucial que a Aliança Atlântica demonstre saber interpretar e responder às questões de segurança vitais para o espaço transatlântico: são estas que devem definir a natureza e o lugar das suas missões futuras”, concluiu Azeredo Lopes que seguirá para Varsóvia na companhia do primeiro-ministro, António Costa e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.