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CDS: pedido do PS para ouvir Carlos Costa sobre a CGD “é manobra de distração”

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Pedro Nunes/ Lusa

“O CDS não se opõe, mas estranhamos este pedido numa altura em que o processo de recapitalização está a ser conduzido pelo Governo nas costas do Parlamento”, diz João Almeida

O deputado do CDS João Almeida considerou hoje que o pedido do PS para ouvir o governador do Banco de Portugal sobre a CGD “é uma manobra para tentar distrair os portugueses do que é essencial”.

O PS pediu na terça-feira a audição parlamentar urgente do governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, para obter esclarecimentos sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Em declarações hoje à agência Lusa, o porta-voz do CDS e vice-presidente do Grupo Parlamentar, disse que o partido não se opõe a audições na comissão de inquérito e “muito menos de responsáveis de identidades públicas” com relevância.

“Não nos oporemos, mas sabemos que isto são apenas manobras para tentar distrair a atenção do que é essencial: que é a comissão de inquérito e o apuramento de tudo o que se passou na Caixa [Geral de DEpósitos] num período longo”, sublinhou.

O deputado salientou à Lusa a importância de um esclarecimento do que se passou na CGD e como é que os contribuintes portugueses são chamados a pagar “uma fatura tão grande” na recapitalização.

“O CDS não se opõe, mas (…) estranhamos este pedido numa altura em que o processo de recapitalização está a ser conduzido pelo Governo nas costas do parlamento. Lembro que a líder do CDS já questionou o primeiro-ministro em debates quinzenais sobre a matéria”, disse.

De acordo com João Almeida, o Governo “não dá informação nenhuma” sobre este processo e “está a negociar com Bruxelas completamente ao arrepio” daquilo que é a fiscalização do parlamento.

“Depois, o PS tem urgência em ouvir o BdP e não tem qualquer critério de responsabilidade numa altura em que o processo está a ser conduzido pelo Governo e que naturalmente deve dar conhecimento aos portugueses, porque o dinheiro da capitalização é dinheiro dos impostos dos portugueses”, concluiu.

Os deputados do PS da Comissão de Orçamento e Finanças “requereram na terça-feira a vinda do senhor governador com caráter de urgência para esclarecer a situação da Caixa Geral de Depósitos”, afirmou à Lusa o deputado socialista João Galamba.

Segundo o deputado, "é importante” que o governador do Banco de Portugal, “responsável máximo pela estabilidade do setor financeiro”, esclareça "os contornos” da recapitalização da Caixa.

Em 2012, o Estado injetou 750 milhões de euros diretamente em ações na Caixa Geral de Depósitos e ainda 900 milhões em instrumentos de capital contingente, dívida pela qual o banco público paga juros anuais.

Para João Galamba, é necessário Carlos Costa explicar as razões pelas quais quatro anos depois de ter sido feito um “levantamento exaustivo da situação” do banco e das necessidades de capital, se perceber que o “problema do setor financeiro português não está resolvido e que a Caixa “tenha necessidade de capital”.