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Vara disponível para investigação “aberta e transparente” à CGD

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Rui Duarte Silva

Ex-administrador escreveu ao presidente do Parlamento. Está disponível para colaborar com A comissão de inquérito mas critica “populismo” de alguns “agentes políticos”

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Armando Vara, ex-administrador da CGD, concorda com a comissão de inquérito ao banco e mostra-se disponível para colaborar na investigação. "Torna-se imperioso que, para defesa do bom nome, em primeiro lugar da própria instituição e, em segundo, de todos quantos trabalharam nela e trabalham, seja realizada uma inquirição pública, totalmente transparente e aberta, da sua gestão ao longo dos anos", defende, em carta enviada ao presidente da Assembleia da República e a que o DN teve acesso.

O ex-ministro da Juventude e Desporto de António Guterres considera que essa comissão deve "esclarecer, em toda a sua extensão, a evolução da situação financeira da CGD ao longo deste período e apurar as causas que possam estar na origem desta eventual necessidade de recapitalização". Vara está no centro de uma investigação judicial a um dos polémicos créditos concedidos no seu tempo pela CGD e que consta do processo Operação Marquês. Trata-se do crédito de quase 300 milhões de euros para a construção do empreendimento Vale do Lobo, no Algarve.

Vara, contudo, não esconde que começou por considerar que "um inquérito parlamentar à gestão de uma determinada empresa constitui um poderoso fator de desvalorização da mesma", mas ao mesmo tempo defende que ninguém "deve temer uma apreciação rigorosa, independente, feita pelo órgão máximo da representação política nacional, a Assembleia da República".

Mesmo assim deixa críticas ao PSD, autor da proposta de comissão de inquérito, lamentando que depois de várias auditorias extraordinárias realizadas no governo de Passos Coelho "os agentes envolvidos" não se tenham revelado "satisfeitos ou descansados relativamente à legalidade da atuação da gestão do Banco, preferindo, ao invés, enveredar pelo caminho de criar um clima de suspeição sobre a honorabilidade de quantos serviram e servem a instituição". E critica também "o populismo como que o tema é tratado, tanto por alguns meios de comunicação como por agentes políticos", por se referirem a si próprio como um dos responsáveis pelo estado do banco.

Vara, que pertenceu à administração de Carlos Santos Ferreira, garante que todas as decisões que tomou se basearam em "critérios estritamente profissionais e no respeito pelas cadeias próprias de decisão da instituição".