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Passos não recua e diz que comissão de inquérito à Caixa vai ser constituída este ano

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Mário Cruz / Lusa

Líder do PSD defende a comissão de inquérito na CGD para gerar confiança dentro do sistema financeiro e bancário português, lembrando que pode ser formada por iniciativa do seu partido

O presidente do PSD, Passos Coelho, disse esta noite em São Paulo, no Brasil, que a comissão de inquérito defendida pelo seu partido para investigar alegados atos ilícitos na Caixa Geral de Depósitos (CGD) será constituída ainda nesta sessão legislativa.

"Não depende da vontade da maioria do Parlamento constituir a comissão. Ela pode ser formada por iniciativa do meu partido. Um requerimento será ultimado nos próximos dias e a comissão vai ser formada ainda nesta sessão legislativa" afirmou, na noite de sexta-feira (madrugada de hoje em Lisboa).

Passos Coelho declarou que o PSD defende a comissão de inquérito na CGD para gerar confiança dentro do sistema financeiro e sistema bancário português.

"O maior banco de Portugal não pode viver numa espécie de clima de suspensão. Essa ideia não vem sendo alimentada por mim ou pelo meu partido, mas pela comunicação social que está a passar notícias semanalmente que dão conta da necessidade de que haja uma capitalização muito avultada no banco", defendeu.

Passos Coelho fez questão de negar a tese de que o banco está numa posição de grande fragilidade em função de práticas comerciais desenvolvidas nos últimos anos.

"Isto não é verdade. A única maneira de criarmos confiança no sistema e na própria instituição é pôr tudo em pratos limpos. Eu tenho pena que o Governo não apoie esta campanha. Mas já que isto não resulta de um intensão do Governo, o Parlamento tem a obrigação de o fazer", destacou.

Este sábado o Expresso noticia que o Presidente da República e o governador do Banco de Portugal querem uma alternativa à comissão de inquérito à Caixa, por considerar que pode pôr em causa a estabilidade e credibilidade do banco público. E vai haver diligências na próxima semana para se tentar encontrar uma alternativa, nomeadamente, contactos entre Banco de Portugal, Governo, partidos e BCE.

O primeiro-ministro está a acompanhar de perto o processo, tendo sido informado pelo Presidente e pelo governador do BdP. "Procura-se uma forma de satisfazer o legítimo interesse público de esclarecer as dúvidas existentes e de procurar uma alternativa", afirmou ao Expresso António Costa.

Marcelo acompanha as reservas do governador do Banco de Portugal, com quem ontem esteve reunido em Belém, embora não o possa assumir publicamente tendo dito em várias ocasiões que não lhe compete pronunciar-se sobre iniciativas da Assembleia da República. Esta sexta-feira voltou a dizê-lo. E ao início da madrugada emitiu uma nota a reiterá-lo.

“O Presidente da República afirmou, repetidamente, que não toma posição sobre matérias da competência da Assembleia da República, que, em caso algum, podem ser objeto de intervenção presidencial, como é o caso com comissões parlamentares de inquérito. Não tem por isso fundamento uma tomada de posição quanto a eventual comissão parlamentar de inquérito sobre a CGD”, refere uma nota de Belém enviada à agência Lusa.