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O presente inesperado de Costa

PAULO NOVAIS / LUSA

No final da visita a Paris, o primeiro-ministro surpreendeu Marcelo com “O Salto do Coelho”

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Foi no domingo passado, pela tarde, no Grand Palais, o museu em Paris onde Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa realizaram o último programa em conjunto na capital francesa depois de três dias de convívio intenso. Os dois tinham acabado de visitar a exposição de Amadeo de Souza-Cardoso ali exposta, o primeiro-ministro já falara à imprensa, o Presidente também e os jornalistas tinham ido tratar das suas peças. E eis senão quando António Costa, que desaparecera por momentos da vista da comitiva, reaparece com um envelope do museu na mão e o oferece a Marcelo.

O Presidente ficou surpreendido, não esperava o gesto, mas Costa pediu-lhe para abrir: dentro do envelope, um postal com uma réplica do célebre quadro de Souza-Cardoso “O Salto do Coelho”. “Há uns que saltam, outros não”, comentou Costa, segundo relatou ao Expresso um dos presentes. E o Presidente, por uma vez, ficou sem resposta: “Isto não posso comentar, não vou falar”, disse apenas, perante a gargalhada das comitivas.

Foi neste espírito que terminou a visita dos dois políticos a França, num gesto inédito de comemoração durante três dias do Dia de Portugal junto da comunidade portuguesa, a maior e mais antiga na Europa. O ambiente foi de cumplicidade, relatou quem viu, onde as quebras de protocolo foram sistemáticas, pondo os agentes franceses encarregados da segurança quase em estado de choque, tanto mais numa altura em que a França se mantém em estado de sítio e decorre o Euro.

Marcelo escolheu o D’Chez Eux

Na véspera, a relação especial entre os dois já tinha transparecido num convite para um jantar a sós da parte de Marcelo, num bistrot de cozinha tradicional francesa que ele particularmente aprecia: D’Chez Eux, na Avenue de Lowendal, onde “o cassoulet é de antologia há mais de 50 anos”, segundo reza a ementa.

Foi o próprio Presidente que marcou mesa, durante um trajeto de carro em que, mais uma vez, os dois partilharam a viatura, acompanhados apenas de um segurança. Uma espécie de “reunião das quintas-feiras” em permanência. Mas o jantar, afinal, que era para ser a dois, acabou em quatro, quando se lhe juntaram o ministro da Defesa e a chefe de gabinete de Costa, num convívio imprevisto. Não se sabe sobre o que conversaram, mas comeram bem.