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Assunção Cristas: Banif nunca foi a Conselho de Ministros

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PAULO CUNHA/LUSA

Tal como Maria Luís Albuquerque e Pedro Passos Coelho, a líder do CDS também diz que a aplicação de sanções por parte da Comissão Europeia relativamente ao défice excessivo de 2015 seria injusta

A situação crítica do Banif nunca foi a Conselho de Ministros. Foi sempre tratada “ao nível do Ministério das Finanças”, revela Assunção Cristas, ex-ministra da Agricultura e do Mar do Governo de Pedro Passos Coelho, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta terça-feira.

“Em matéria de Banif, o que posso dizer é que nunca a questão foi discutida em Conselho de Ministros. Na verdade, a informação que tive sobre o Banif foi aquela que depois veio a público”, afirma.

Para a líder do CDS, faz falta um ministro no Governo de António Costa com o perfil de Paulo Portas. Alguém sem pudores de se mexer. O atual Governo não faz uma missão ao estrangeiro para promover ou captar investimentos, acusa Cristas. “No Ministério da Agricultura tínhamos um secretário de Estado que passava metade do tempo a tratar de dossiês para abrir mercados estrangeiros para os diferentes produtos. Este Governo não se mexe. Este Governo não sai da sua cadeira. Devem achar que é uma coisa menor”, diz.

Tal como Maria Luís Albuquerque e Pedro Passos Coelho, Cristas também defende que a aplicação de sanções por parte da Comissão Europeia relativamente ao défice excessivo de 2015 seria injusta. Mesmo assim, deixa críticas a António Costa. “O Governo diz que não quer sanções, mas não se bateu por um melhor resultado em 2015. E sejamos francos: não se bateu porque não quis.” Quanto a 2016, a história é outra. "Em 2016 tem de cumprir aquilo com que se comprometeu. As escolhas são deste Governo", diz.

Quando questionada sobre a reforma Segurança Social, à qual o seu partido vai apresentar propostas, Assunção Cristas não fala sobre falência ou “sustentabilidade” do sistema e muda o foco das questões. “A minha ótica de abordagem não é tanto a história da sustentabilidade, porque o ministro Vieira da Silva diz muitas vezes – e tem alguma razão quando o diz – que o sistema é sustentável. Pode ser, no modelo dele, não pagará é pensões. O nosso foco não será num modelo que é insustentável, é de um sistema que não paga as pensões que as pessoas esperam ter.”

A líder do CDS, uma das vozes mais ativas contra as mudanças nos contratos de associação com as escolas privadas, admite ainda que vai continuar a lutar por essa causa. Mas com algumas mudanças. “Se me perguntar se é pelos contratos de associação tal qual eles existem, se calhar não. Creio que é evidente que o modelo tem de ser mudado. Mas não temos de obrigar toda a gente a ir para uma escola pública estatal só porque temos aquela instalação”, defende.