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Marcelo e Costa em Paris. “São tão giros, eles são mesmo amigos”

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PAULO NOVAIS / LUSA

Num almoço VIP, na festa da Rádio Alfa, este domingo, a convite do presidente da Câmara de Créteil, Marcelo e Costa fizeram longos discursos e brincaram um com o outro. “Costa foi meu aluno e por vezes o aluno ultrapassa o professor”, disse Marcelo

Na vasta tenda VIP da festa da Rádio Alfa estavam cerca de duzentos convidados, diversos políticos franceses da região parisiense e muitos portugueses - as comitivas do presidente e do primeiro-ministro e, sobretudo, muitos empresários emigrantes com as respetivas esposas.

O almoço começara muito tarde, às 16 horas, o programa do último dos três dias da visita estava muito atrasado, mas mesmo assim António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa não encurtaram os discursos, sobretudo o presidente que falou longamente, de improviso, durante mais de meia hora.

Passaram o tempo a brincar um com o outro, até quando abordaram a sua coabitação no poder, em Portugal. O tema fora trazido para o almoço por Valérie Pécresse, presidente da região Ile-de-France (Paris). No seu discurso, a política francesa, de direita, comparara a coabitação de Marcelo e Costa com a de Jacques Chirac e Lionel Jospin. Marcelo respondeu-lhe em francês com ironia dizendo que o seu problema na coabitação com Costa era falar depois dele, porque o “senhor primeiro-ministro fala dos mesmos temas e diz coisas que eu também queria abordar”. António Costa também discursara em francês e de improviso.

Mesmo quando lhe enviou uma pequena farpa sobre as 35 horas, fê-lo com grande elegância e cordialidade. “O povo português é trabalhador, trabalha muito, por vezes até mais no estrangeiro do que em Portugal - e reparem que não estou a aludir ao debate sobre as 35 horas”, disse Marcelo.

Foram discursos descontraídos e muitos dos presentes sentiram que existia uma real amizade entre ambos. “O senhor primeiro-ministro é um político, um político inteligente, foi meu aluno e por vezes o aluno ultrapassa o professor”, disse Marcelo. “São tão giros, eles são mesmo amigos porque só os amigos podem dizer as coisas que eles dizem, a brincarem desta maneira um com o outro”, comentou uma das senhoras portuguesas presentes.

Já antes, durante os discursos no palco da festa, ambos estiveram a brincar à chuva. O público riu e aplaudiu quando António Costa, sorridente, pegou no guarda-chuva de Olívia Vaz, jornalista da Rádio Alfa, para o proteger. Estiveram ambos sob o mesmo guarda-chuva onde se lia “Fidelidade” durante alguns minutos. Nesse momento, Marcelo sorriu e disse: “Reparem que quem tem o guarda-chuva é o primeiro-ministro de esquerda e quem é apoiado é o Presidente que veio da direita”.

No almoço VIP, Marcelo definiu-se como sendo “rigorosamente centrista”, mas a imagem de ambos sob o mesmo guarda-chuva será a que melhor retrata o clima de concórdia, de respeito e de amizade pessoal que sem dúvida transmitiram durante toda a visita a Paris. Há empatia entre ambos, o próprio Marcelo o sublinhou e Costa não o desmentiu – “tenho uma relação muito saudável e sólida com o presidente da República”, referiu Costa.

Visivelmente, ambos desejam que a coabitação continue em Portugal e Marcelo sublinhou querer mesmo uma convergência mais alargada, em termos políticos, a outros partidos. Costa não disse que não e, aparentemente, espera por mudanças no PSD.

Em França nada perturbou a viagem do Presidente da República e do primeiro-ministro. Andaram sempre quase de mãos dadas e estiveram juntos em praticamente todo o lado. Menos na missa de domingo, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Paris. Marcelo reconheceu, nesse aspeto, a existência de visões diferentes. “Eu vou à missa e o primeiro-ministro não”, disse.