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Marcelo no 10 de junho: Foi sempre povo a lutar por Portugal “mesmo quando elites nos falharam”

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ANTONIO COTRIM / LUSA

Foram oito minutos a louvar as capacidades do povo português, que "não vacila, não trai, não se conforma, não desiste". O Presidente condecorou ainda o “heroísmo e a bravura” de seis militares, três deles pela sua atuação no período final da guerra colonial, entre 1973 e 1974

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta sexta-feira que foi o povo português, “sempre o povo”, quem assumiu o papel determinante quando o país foi posto à prova, lutando por ele, mesmo quando as elites falharam.

No discurso das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, no Terreiro do Paço, em Lisboa, Marcelo fez o elogio do povo português, “o povo armado e não armado”, que, “nos momentos de crise, quando a pátria é posta à prova”, assumiu o “papel determinante”. Virando-se para o futuro, o Presidente afirmou: "Somos portugueses, como sempre triunfaremos".

“Foi o povo, a arraia miuda, quem nos momentos de crise, soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo. O povo, sempre o povo, a lutar por Portugal. Mesmo quando algumas elites - ou melhor, as que como tal se julgavam - nos falharam, em troca de prebendas vantajosas, de títulos pomposos, meros ouropéis luzidios, de autocontemplações deslumbradas ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e de decidir com visão e sem preconceitos”, afirmou.

O Presidente condecorou ainda o “heroísmo e a bravura” de seis militares, por se terem destacado no cumprimento de missões no âmbito nacional e internacional, três dos quais pela sua atuação no período final da guerra colonial, entre 1973 e 1974, um deles em Angola e dois em Moçambique, e outros três no ativo.

Condecorações no Terreiro do Paço e em Paris

As comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses dividem-se este ano, e de forma inédita, entre Lisboa, e Paris, onde o Marcelo Rebelo de Sousa permanecerá até dia 12. Marcelo irá condecorar ainda cinco emigrantes portugueses, uma luso-descendente e três franceses que destacaram na comunidade lusa na capital francesa. Margarida de Santos Sousa, Manuela Gonçalves, José Gonçalves e Natália Teixeira Syed recebem esta sexta-feira, na Câmara Municipal de Paris, o grau de Dama/Cavaleiro da Ordem da Liberdade, quase sete meses depois de terem prestado auxílio a vítimas dos atentados de 13 de novembro em Paris, quando abriram os portões dos seus pátios para abrigar os sobreviventes e ajudaram a prestar os primeiros socorros a dezenas de pessoas.

Ao longo da sua visita a Paris, o Presidente distinguirá outras personalidades que se destacaram na comunidade lusa da capital francesa. O fotógrafo que mais retratou os bairros de lata portugueses em França nos anos 60 e 70, nascido no Haiti há 89 anos (mas com nacionalidade francesa) Gérald Bloncourt, vai receber a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Joaquim Silva Sousa, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Paris, vai ser agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito, por se tratar "de uma personalidade consensual que reúne o respeito e admiração da comunidade portuguesa em Paris, devido às atividades que desenvolve no seio da Santa Casa". O grau de comendador da ordem de Mérito também vai ser atribuído ao empresário Valdemar Francisco, de 62 anos, que está a ajudar a construir um monumento de homenagem a um antigo autarca francês pela ajuda prestada aos imigrantes portugueses no bairro de lata de Champigny.

Louis Talamoni, antigo autarca de Champigny, vai ser condecorado a título póstumo com o grau de comendador da Ordem da Liberdade, por "durante largos anos, a partir de 1956 e até 1972, data da extinção do bidonville" ter procurado "com grande determinação e uma inegável coragem, minorar o sofrimento de todos os que viviam no bairro de lata". Também o atual Presidente da Câmara de Champigny, o francês Dominique Adenot, vai receber o grau de Comendador da Ordem do Mérito, por "ter demonstrado um especial interesse e empenho junto da comunidade portuguesa e lusodescendente do município que dirige".

“No dia 10 de Junho, esta é a minha visão, devem ser condecorados aqueles que no quadro militar ou civil tiveram atuações que se aproximam da ideia de heroísmo ou de bravura. Depois há muitos outros que têm comportamentos que merecem ser galardoados e o ano tem mais 364 dias”, defendeu Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas, na quinta-feira.

  • Do bidonville ao poder

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